Técnica de enfermagem foi internada em UTI onde teria matado pacientes

O caso envolvendo a técnica de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa segue despertando atenção e levantando uma série de questionamentos no Distrito Federal. Acusada de participação na morte de ao menos três pacientes dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, ela esteve, ironicamente, internada na mesma UTI da unidade no fim de 2023, após passar por uma cirurgia bariátrica.
A informação ganhou repercussão depois que a própria Amanda publicou, em suas redes sociais, uma imagem em que aparece recebendo alta hospitalar ao lado de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo e Marcela Camilly Alves da Silva — os dois outros técnicos de enfermagem também investigados no caso. Na legenda, ela agradeceu à equipe do hospital pelos cuidados recebidos e descreveu o período de internação como dias difíceis, marcados por esforço, apoio e superação. O tom da mensagem era de gratidão e união, algo que, à primeira vista, contrastava com a gravidade das acusações que viriam à tona semanas depois.
Procurado pela reportagem, o Hospital Anchieta informou que aguarda a manifestação oficial sobre a data exata da cirurgia realizada por Amanda. A instituição, no entanto, já havia se pronunciado anteriormente ao confirmar que foi o próprio hospital quem identificou situações consideradas fora do padrão na UTI e comunicou o caso às autoridades, dando início às investigações.
Além de sua atuação no Hospital Anchieta, Amanda também trabalhou, ainda que por um curto período, no Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). Segundo a unidade, ela integrou o quadro de funcionários por apenas oito dias, em março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19. Naquele momento, o Distrito Federal vivia estado de emergência, e profissionais que haviam passado por processos seletivos anteriores foram convocados para reforçar as equipes de saúde.
Nas redes sociais, Amanda se apresentava como mãe, cristã e profissional dedicada à área da saúde. Eram comuns publicações com a filha pequena, mensagens religiosas, músicas gospel e reflexões de líderes espirituais. Ela também afirmava ter especializações como intensivista e instrumentadora cirúrgica, funções que exigem formação técnica específica e atuação direta em ambientes de alta complexidade, como a UTI.
O caso passou a ser investigado de forma mais aprofundada a partir da deflagração da Operação Anúbis. A primeira fase ocorreu em 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em diferentes regiões do Distrito Federal e Entorno. Materiais considerados importantes para a apuração foram recolhidos e seguem sob análise.
A investigação avançou nos dias seguintes. Em 15 de janeiro, a Polícia Civil deu início à segunda fase da operação, cumprindo mais um mandado de prisão temporária e realizando novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia. O objetivo é esclarecer a dinâmica dos fatos, entender o papel de cada suspeito e verificar se há envolvimento de outras pessoas.
Atualmente, estão presos Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. Segundo apuração, as vítimas seriam João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Moreira, de 33, e Miranilde Pereira da Silva, de 75. A motivação ainda está sob investigação. Caso a autoria seja confirmada, os acusados poderão responder por homicídio doloso qualificado, com penas que variam de 9 a 30 anos de prisão.



