Notícias

Polícia paulista pede transferência de Sérgio Nahas para São Paulo

A prisão do empresário Sérgio Nahas, ocorrida nesta semana, reacendeu um caso que marcou o noticiário policial paulista no início dos anos 2000 e que, por muito tempo, pareceu caminhar a passos lentos na Justiça. Após mais de duas décadas desde a morte de Fernanda Orfali, de 28 anos, a história voltou ao centro do debate público, levantando reflexões sobre tempo, responsabilização e a sensação de impunidade que acompanha processos longos.

Na quinta-feira, dia 22 de janeiro, a Polícia de São Paulo solicitou oficialmente a transferência de Nahas para a capital paulista. Ele havia sido preso dias antes em uma pousada na Bahia, após ser identificado por um sistema de monitoramento por câmeras na região da Praia do Forte, um dos pontos turísticos mais conhecidos do litoral baiano. A confirmação do pedido partiu da Secretaria da Segurança Pública (SSP) na sexta-feira (23), que informou que o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) aguarda agora uma decisão judicial para seguir com os trâmites legais.

A prisão foi realizada pela Polícia Militar da Bahia. Com o empresário, os agentes apreenderam entorpecentes, três telefones celulares e um veículo de luxo da marca Audi. O caso foi registrado na delegacia local, e Nahas foi encaminhado à Polinter. Antes disso, ele já havia passado por audiência de custódia no dia 19 de janeiro, procedimento padrão em prisões dessa natureza.

O mandado de prisão contra Sérgio Nahas estava em aberto por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A defesa havia recorrido a todas as instâncias possíveis desde a condenação pelo Tribunal do Júri, em 2018. No entanto, o último recurso foi negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que encerrou o processo e permitiu o cumprimento definitivo da pena: 8 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial fechado.

O caso remonta a setembro de 2002, quando Fernanda Orfali foi morta com um disparo no peito dentro do apartamento do casal, localizado em um bairro nobre da região central de São Paulo. A arma utilizada pertencia ao empresário e não possuía registro. Na época, Nahas afirmou que teria ouvido o disparo vindo do closet e que encontrou a esposa ferida ao chegar ao local. Ele sustentou a versão de que Fernanda enfrentava um quadro de depressão.

As investigações, no entanto, seguiram outro caminho. A apuração apontou contradições no relato e levou à acusação de homicídio doloso, quando há intenção de matar. Segundo os autos, a vítima teria descoberto comportamentos do marido que teriam motivado uma discussão pouco antes do ocorrido. A versão apresentada pela defesa não foi aceita pelos investigadores nem pelo Ministério Público.

O julgamento pelo Tribunal do Júri aconteceu apenas em 2018, 16 anos após o crime. Na ocasião, Nahas foi condenado por homicídio simples, recebendo uma pena inicial de sete anos em regime semiaberto. O Ministério Público de São Paulo recorreu da decisão, e a pena foi revista para 8 anos e 2 meses, agora em regime fechado. A nova dosimetria foi confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e mantida pelo STF.

Um dado que chama atenção é a diferença entre o tempo do processo e a pena aplicada. Enquanto a ação judicial levou mais de duas décadas para chegar ao desfecho, a condenação é quase três vezes menor que esse período. Durante todo esse tempo, o empresário respondeu em liberdade.

O caso de Sérgio Nahas, agora novamente em evidência, evidencia não apenas uma história individual, mas também provoca discussões mais amplas sobre a duração dos processos judiciais no Brasil e o impacto disso na percepção de justiça pela sociedade.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: