Polícia prende homem após denúncia de crimes contra a mãe

Cabo Frio (RJ) — A prisão de um homem suspeito de roubar e ameaçar a própria mãe escancarou, mais uma vez, a face silenciosa da violência doméstica praticada dentro de casa. O caso ocorreu nesta quinta-feira (22), no bairro Porto do Carro, e mobilizou equipes da 126ª Delegacia de Polícia e da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) do município. O investigado foi preso após o cumprimento de mandado de prisão preventiva, expedido diante da gravidade das acusações.
Segundo a Polícia Civil, o crime aconteceu logo após a vítima receber o valor de sua aposentadoria. De acordo com o relato prestado à autoridade policial, o próprio filho a teria amarrado dentro da residência para subtrair todo o dinheiro. O episódio, classificado como violência doméstica e familiar contra a mulher, foi enquadrado na Lei Maria da Penha, instrumento legal que busca coibir abusos praticados no ambiente familiar.
Ainda conforme a investigação, a situação ganhou contornos ainda mais graves após o roubo. A vítima afirmou que, além de ter sido imobilizada, foi ameaçada de ter a casa incendiada, o que intensificou o clima de terror e intimidação. Diante do relato, a Deam instaurou procedimento imediato, solicitou medidas protetivas de urgência e representou pela prisão preventiva do suspeito, considerada essencial para preservar a integridade física e psicológica da mulher.
Com a ordem judicial expedida, agentes das duas delegacias se dirigiram ao endereço do investigado. A prisão foi realizada sem resistência, segundo informou a Polícia Civil. O homem foi indiciado formalmente pelos crimes de roubo e ameaça, permanecendo sob custódia enquanto aguarda as próximas decisões da Justiça. As autoridades ressaltam que a atuação rápida foi fundamental para evitar um possível agravamento do quadro.
Um dado que chama atenção no inquérito é o histórico criminal do suspeito. De acordo com a polícia, ele já possui diversos antecedentes, incluindo duas passagens por roubo majorado, registradas anteriormente no município de São Pedro da Aldeia. Esse histórico pesou na decisão judicial que determinou a prisão preventiva, reforçando o entendimento de risco à vítima.
Após ser detido, o homem foi encaminhado à unidade policial, onde permaneceu à disposição da Justiça. As investigações seguem sob responsabilidade da Deam, que agora apura se houve outros episódios de violência doméstica envolvendo a mesma vítima ou integrantes do núcleo familiar. A polícia não descarta a possibilidade de novos desdobramentos a partir de depoimentos complementares.
Casos como esse evidenciam um padrão preocupante: a violência que ocorre longe dos olhos do público, muitas vezes praticada por quem deveria proteger. Especialistas ressaltam que o fator financeiro — como aposentadorias e benefícios — frequentemente se torna gatilho para crimes dentro do ambiente familiar, especialmente quando há histórico de comportamento violento ou dependência econômica.
Enquanto o suspeito permanece preso, a atenção das autoridades se volta não apenas à responsabilização penal, mas também ao acolhimento da vítima. O desfecho judicial ainda está distante, mas o caso reforça um alerta claro: a violência doméstica nem sempre deixa marcas visíveis, porém seus efeitos se espalham de forma profunda — e, muitas vezes, só vêm à tona quando a linha do medo já foi ultrapassada.



