Bacabal-MA: prefeito atualiza a situação das buscas de crianças desaparecidas

O desaparecimento de duas crianças no interior do Maranhão segue mobilizando autoridades, moradores e equipes especializadas, numa busca que já dura quase três semanas e mantém Bacabal em estado de atenção constante. Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michel, de 4, foram vistos pela última vez no território do Quilombo São Sebastião dos Pretos, uma comunidade rural conhecida pela forte ligação entre as famílias e pela rotina simples do campo.
Em entrevista concedida nesta quinta-feira (22) à Rádio Itatiaia, o prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB), trouxe novas informações sobre o andamento das buscas. Segundo ele, não há prazo para o encerramento da operação. “As buscas vão continuar até encontrarmos as crianças”, afirmou, com um tom firme, mas visivelmente cauteloso.
O caso ganhou ainda mais atenção pelo fato de um terceiro menino, Kauã, de 8 anos, primo das crianças, também ter desaparecido no mesmo dia. Ele foi encontrado três dias depois, a cerca de 12 quilômetros de distância da comunidade onde mora. O local em que Kauã foi achado, apelidado pelos moradores de “casa caída”, é uma espécie de abrigo improvisado, feito com barro, troncos e palha, comum em áreas rurais mais afastadas.
De acordo com o prefeito, as crianças teriam saído de casa para visitar a avó e não retornaram. “É uma distância muito grande para crianças percorrerem sozinhas”, destacou Roberto Costa, reforçando que Kauã recebeu acompanhamento médico e psicológico antes de colaborar com as buscas. Com todo o cuidado necessário, o menino foi levado novamente ao ponto onde foi encontrado, na tentativa de ajudar a indicar caminhos ou detalhes que pudessem contribuir com o trabalho das equipes.
A operação montada em Bacabal é ampla e envolve diferentes frentes. Na quarta-feira (21), o Corpo de Bombeiros do Maranhão atuou em conjunto com a Marinha do Brasil em buscas no Rio Mearim. Cães farejadores foram utilizados para rastrear possíveis trajetos das crianças, e alguns vestígios foram localizados em um casebre abandonado próximo às margens do rio, o que reforçou a necessidade de intensificar os trabalhos na região.
Além das ações no rio, há um esforço significativo em terra. Equipes percorrem áreas de mata fechada, trilhas e zonas rurais no entorno da comunidade. Até agora, mais de 3.200 km² já foram cobertos nas buscas terrestres, um número que dá a dimensão da complexidade da operação.
Paralelamente, a Polícia Civil do Maranhão conduz uma investigação detalhada. Segundo o prefeito, cerca de cinco delegados estão dedicados exclusivamente ao caso. O trabalho segue sob sigilo, mas moradores da região estão sendo chamados para prestar depoimentos e compartilhar qualquer informação que possa ajudar a esclarecer o que aconteceu.
A força-tarefa conta com o apoio do Corpo de Bombeiros do Maranhão, além de equipes vindas do Ceará e do Pará, Polícia Militar, Exército Brasileiro e muitos voluntários da própria comunidade. Em São Sebastião dos Pretos, a esperança segue viva. A cada novo dia, moradores se unem às equipes, movidos pela fé e pela expectativa de que Ágatha e Allan sejam encontrados. Enquanto isso, Bacabal acompanha, apreensiva, cada atualização desse caso que já marcou a cidade.



