Identificada a querida empresária que morreu após conhecido procedimento estético

Os procedimentos estéticos ganharam espaço definitivo na rotina dos brasileiros. Basta uma rápida olhada nas redes sociais para perceber como cirurgias e intervenções corporais se tornaram comuns, quase banais. No entanto, por trás dessa aparente normalidade, existe um ponto que nem sempre recebe a devida atenção: mesmo em clínicas estruturadas e com profissionais habilitados, os riscos existem e podem surgir de forma inesperada.
Foi esse alerta silencioso que veio à tona após a morte da empresária Ariene Rodrigues Pereira, de 37 anos, em São Luís, no Maranhão. Ela passou mal durante uma lipoaspiração realizada em uma clínica particular da capital maranhense, na noite da última terça-feira, dia 20 de janeiro. O procedimento, que tinha como objetivo melhorar a autoestima, acabou se transformando em um episódio que abalou familiares, amigos e a comunidade local.
Segundo informações apuradas pelas autoridades, Ariene sofreu uma parada cardiorrespiratória ainda durante a cirurgia. A equipe médica tentou reanimá-la por cerca de uma hora e meia, seguindo os protocolos de emergência disponíveis, mas, infelizmente, ela não resistiu. Conhecida no meio empresarial, Ariene era descrita como uma mulher dinâmica, dedicada ao trabalho e muito próxima da família.
O boletim de ocorrência aponta que a empresária tinha diagnóstico de hipotireoidismo e fazia uso de medicação contínua. Esse detalhe passou a ser um dos pontos centrais levantados pela família, que agora busca esclarecimentos sobre os exames pré-operatórios realizados e sobre como foi feita a avaliação de risco cirúrgico. Parentes relatam que, após o ocorrido, houve dificuldade de comunicação com a clínica, o que aumentou ainda mais o sofrimento em um momento já marcado pela dor.
Outro aspecto que chamou a atenção foi a entrega do prontuário médico, que, segundo familiares, só aconteceu horas depois e na presença de uma advogada. Diante desse cenário, a Polícia Civil do Maranhão instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte e entender se todos os procedimentos exigidos foram, de fato, cumpridos.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou como causa da morte uma embolia pulmonar maciça provocada por um coágulo sanguíneo. Trata-se de um evento súbito e grave, que pode ocorrer mesmo em ambientes controlados. A defesa do médico responsável sustenta que todos os protocolos foram seguidos corretamente e que a intercorrência não poderia ser prevista, classificando o caso como uma fatalidade.
Em nota oficial, a clínica informou que o procedimento contou com equipe completa, incluindo cirurgiões, anestesistas e cardiologista, além de estrutura adequada para o atendimento de emergências. Ainda assim, o episódio reacendeu discussões importantes sobre a segurança em cirurgias estéticas, a transparência nas informações repassadas aos pacientes e a necessidade de avaliações rigorosas antes de qualquer intervenção.
Nos últimos anos, conselhos médicos e sociedades de especialidade têm reforçado a importância de consultas detalhadas, exames completos e diálogo claro entre médico e paciente. Não se trata apenas de assinar termos, mas de compreender riscos reais, mesmo aqueles considerados raros.
Para a família de Ariene, no entanto, nenhum debate técnico substitui a ausência. Resta a dor da perda e a expectativa por respostas que ajudem a entender o que, de fato, aconteceu dentro do centro cirúrgico. Um caso que vai além das estatísticas e deixa um alerta difícil de ignorar.



