Caso choca o país: professor é preso após denúncias envolvendo mais de 200 vítimas

A prisão de um professor na manhã desta quarta-feira (21) provocou forte repercussão no Nordeste e reacendeu o debate sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente escolar. O educador foi detido no município de União, no Piauí, sob suspeita de envolvimento em atos de violência íntima contra 244 crianças e adolescentes, número que chamou a atenção das autoridades e causou comoção entre pais, responsáveis e a comunidade educacional. As investigações indicam que as vítimas eram alunas de uma escola localizada na cidade de Tuntum, no Maranhão.
A operação foi coordenada pela Polícia Civil do Maranhão, que localizou o suspeito em sua residência no estado vizinho. No momento da abordagem, ele se encontrava em liberdade provisória, condição concedida após um primeiro inquérito instaurado no ano anterior. Desde então, o professor estava afastado de suas funções acadêmicas, mas continuava respondendo ao processo fora do sistema prisional. A nova ordem de prisão foi expedida após o avanço das investigações e o surgimento de novos elementos considerados relevantes pelas autoridades.
De acordo com o inquérito policial, os fatos investigados teriam ocorrido entre o ano de 2023 e maio de 2025. O caso ganhou maior dimensão após a mobilização de pais e responsáveis, que passaram a relatar comportamentos considerados inadequados do educador. As denúncias foram formalizadas junto às autoridades competentes, o que levou à ampliação das apurações e à análise detalhada de relatos colhidos ao longo do período investigado.
Em um primeiro momento, ainda em 2024, o professor chegou a ser detido sob suspeita de importunação sexual envolvendo uma estudante. Na ocasião, a Justiça concedeu liberdade provisória, permitindo que ele respondesse ao processo em liberdade, desde que afastado do ambiente escolar. Mesmo fora da sala de aula, novas informações e depoimentos continuaram a surgir, reforçando a gravidade do caso e levando a Polícia Civil a aprofundar as diligências.
Segundo informações oficiais, o investigado teria praticado atos classificados pela polícia como “atos libidinosos” com menores de 14 anos. As ocorrências teriam acontecido dentro do próprio ambiente escolar, principalmente em salas de aula, local que deveria ser de aprendizado e segurança. Até o momento, as autoridades informaram que não há confirmação de violência sexual física completa, mas exames periciais foram solicitados para todos os estudantes mencionados no inquérito, a fim de esclarecer a extensão exata dos fatos.
O delegado Wlisses Alves, da Delegacia de Presidente Dutra, responsável pelo caso, explicou que a reincidência das denúncias foi determinante para a nova prisão. Em declaração à imprensa, ele destacou que os relatos indicam uma conduta repetida ao longo dos anos investigados. “Os abusos foram cometidos de 2023 a maio de 2025, quando ele foi preso por importunação sexual. Ele foi colocado em liberdade provisória, mas não voltou a dar aula”, afirmou o delegado, ressaltando a importância da colaboração das famílias para o avanço das investigações.
Após a detenção no Piauí, o professor foi transferido para o sistema prisional do Maranhão, onde permanecerá à disposição da Justiça. As autoridades optaram por preservar a identidade do suspeito e o nome da escola envolvida, com o objetivo de proteger as vítimas. Caso haja condenação, ele poderá responder por crime contra vulnerável, cuja legislação brasileira prevê pena de reclusão entre 10 e 18 anos. O caso segue em investigação e reforça o alerta sobre a necessidade de vigilância, prevenção e canais eficazes de denúncia para garantir a segurança de crianças e adolescentes no ambiente escolar.



