Bacabal: As buscas por crianças desaparecidas seguem sem respostas

As buscas pelas crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidas desde o dia 4 de janeiro na zona rural de Bacabal, no Maranhão, entraram no 19º dia nesta quinta-feira. O caso, que mobiliza uma das maiores forças-tarefas já montadas no estado para localização de menores, continua sem pistas definitivas sobre o paradeiro dos irmãos. A área de atuação principal segue sendo o Quilombo São Sebastião dos Pretos, local onde as crianças foram vistas pela última vez, e as margens do Rio Mearim.
Mais de 500 profissionais, entre policiais civis, militares, bombeiros, mergulhadores da Marinha, militares do Exército e voluntários da comunidade, participam das operações diárias. As equipes realizam varreduras minuciosas na mata densa, buscas subaquáticas com uso de sonar e drones, além de rastreamento em trilhas e comunidades vizinhas. Apesar do grande volume de recursos humanos e tecnológicos empregados, nenhum vestígio das crianças — roupas, objetos pessoais ou indícios de presença — foi encontrado até o momento.
A Polícia Civil mantém todas as linhas de investigação abertas, sem descartar nenhuma hipótese. Entre as possibilidades analisadas estão sequestro, acidente na mata ou no rio, e até mesmo envolvimento de terceiros próximos à família. A intensificação da fiscalização nas rodovias federais do Maranhão pela Polícia Rodoviária Federal visa identificar possíveis rotas de fuga e monitorar o trânsito de veículos suspeitos que possam ter saído da região nos dias seguintes ao desaparecimento.
Um ponto que tem chamado atenção é o depoimento de Anderson Kauã, primo das crianças, de 8 anos, que também desapareceu inicialmente e foi encontrado vivo no dia 7 de janeiro. Após 14 dias internado, o menino recebeu alta hospitalar e já tem colaborado com as autoridades, indicando locais onde esteve com os primos nos dias anteriores ao sumiço. Seus relatos são considerados fundamentais para direcionar novas frentes de busca.
A comoção na região é grande. Moradores do quilombo e de municípios próximos se revezam nas buscas, oferecendo alimentação, apoio logístico e informações à equipe. A solidariedade popular tem sido destacada pelas autoridades como um fator importante para manter o ritmo das operações, mesmo diante do desgaste físico e emocional de tantos dias sem avanço.
Especialistas em busca e salvamento afirmam que o tempo transcorrido aumenta a complexidade do caso, mas reforçam que os esforços não serão interrompidos enquanto houver possibilidade de encontrar as crianças com vida. A presença contínua de mergulhadores e o uso de equipamentos de alta precisão demonstram o compromisso das forças de segurança em esgotar todas as possibilidades.
O desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael segue como um dos casos mais emblemáticos do Maranhão nos últimos anos, mobilizando não apenas as autoridades, mas toda a sociedade. Enquanto as buscas prosseguem ininterruptamente, a expectativa da população permanece voltada para um desfecho positivo, com o retorno das crianças sãs e salvas para suas famílias.



