Uso de celular ligado à tomada termina em morte de adolescente no Pará

Uma tragédia ocorrida no interior do Pará reacendeu um alerta grave sobre um hábito cotidiano que costuma ser tratado como inofensivo. Uma adolescente de 15 anos morreu após sofrer uma descarga elétrica enquanto usava o celular conectado à tomada, dentro da própria casa. O caso chocou moradores da região e ganhou repercussão nacional, principalmente por envolver uma situação comum na rotina de milhões de brasileiros.
A vítima foi identificada como Beatriz Diniz, de 15 anos. O acidente aconteceu na comunidade de Jutaí, zona rural do município de Augusto Corrêa, no nordeste do estado. Segundo familiares, a adolescente utilizava o celular enquanto o aparelho estava carregando na tomada quando sofreu o choque elétrico, na noite da última quinta-feira (15).
Beatriz teve queimaduras graves e foi socorrida inicialmente por parentes e vizinhos. Em seguida, ela foi encaminhada para atendimento médico no município de Bragança. Com o agravamento do quadro clínico, a adolescente precisou ser transferida para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, localizado em Ananindeua, na região metropolitana de Belém.
No hospital, Beatriz passou por um procedimento cirúrgico e permaneceu internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Apesar dos cuidados médicos e dos esforços da equipe de saúde, a jovem não resistiu às complicações e morreu na segunda-feira (19), após quatro dias de internação.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre o que provocou a descarga elétrica. As autoridades informaram que as circunstâncias do acidente seguem sendo apuradas. Imagens do celular e do carregador utilizados pela adolescente circulam nas redes sociais e fazem parte da investigação.
O caso levantou um debate importante sobre o uso de aparelhos eletrônicos durante o carregamento. Especialistas alertam que, embora pareça algo simples e rotineiro, o hábito envolve riscos reais. O engenheiro eletricista Edson Martinho, diretor-executivo da Abracopel, explica que carregadores conectados à tomada consomem energia continuamente e podem apresentar aquecimento fora do normal, o que aumenta as chances de curto-circuito e outros incidentes.
Entre os principais fatores de risco estão o uso de carregadores não originais, cabos danificados, tomadas mal conservadas e o uso do celular em locais inadequados, como camas, sofás ou ambientes úmidos. Situações como essas podem parecer irrelevantes no dia a dia, mas potencializam perigos silenciosos.
A morte de Beatriz expõe uma realidade incômoda: acidentes domésticos envolvendo eletricidade não escolhem idade, classe social ou localização. Eles acontecem justamente quando o risco é ignorado. O que parecia apenas mais um momento comum diante da tela terminou de forma irreversível — e deixa uma pergunta inevitável para quem lê até aqui: quantas vezes você já repetiu esse mesmo hábito hoje, sem imaginar as consequências?



