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UTI sob investigação: entenda como agiam os suspeitos em casos graves no Distrito Federal

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou uma investigação de grande repercussão após a detenção de três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento no falecimento de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. A ação, batizada de Operação Anúbis, aponta que ao menos três mortes ocorridas entre novembro e dezembro de 2025 apresentam indícios de irregularidades graves. O caso chamou a atenção das autoridades pela forma como os procedimentos teriam sido executados e pela possível manipulação de sistemas internos da unidade de saúde.

De acordo com as apurações iniciais, os investigadores identificaram um padrão incomum nos prontuários e na evolução clínica de pacientes que, até então, não apresentavam sinais de agravamento compatíveis com os desfechos registrados. O foco da investigação recaiu sobre o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, que teria utilizado de maneira indevida o acesso de um médico ao sistema eletrônico de prescrição. Com isso, ele conseguia solicitar medicamentos incompatíveis com o tratamento ou em dosagens consideradas perigosas, sem levantar suspeitas imediatas.

Segundo a Polícia Civil, após efetuar os pedidos no sistema, Marcos retirava os produtos diretamente na farmácia do hospital. Os itens eram escondidos sob o jaleco, permitindo que ele circulasse até os leitos sem chamar a atenção de outros profissionais. Um dos episódios mais sensíveis investigados envolve uma paciente de 75 anos, na qual o técnico teria administrado uma substância inadequada por meio de seringa, episódio que passou a ser analisado com rigor pelos peritos responsáveis pelo caso.

A atuação do grupo não se restringia a apenas um integrante. As outras duas investigadas, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, teriam desempenhado papéis estratégicos durante as ações. Conforme relatado no inquérito, ambas ficavam posicionadas próximas às entradas dos quartos para monitorar a movimentação de funcionários, reduzindo o risco de interrupções. Essa organização, segundo os investigadores, indica uma ação coordenada e planejada, o que elevou o nível de atenção das autoridades.

Para manter uma aparência de normalidade, o principal investigado aguardava reações adversas dos pacientes após as aplicações irregulares. Quando a condição clínica se agravava de forma repentina, ele simulava tentativas de socorro, realizando manobras de reanimação na presença de outros profissionais. Esse comportamento, inicialmente interpretado como tentativa de auxílio, acabou levantando suspeitas quando situações semelhantes começaram a se repetir em curto intervalo de tempo.

As vítimas identificadas até o momento são Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos; João Clemente Pereira, de 63 anos; e Marcos Moreira, de 33 anos. A direção do Instituto Médico Legal (IML) informou que os alertas surgiram após o hospital perceber deteriorações súbitas em pacientes com quadros clínicos distintos. Diante disso, o Hospital Anchieta criou um comitê interno que, em menos de 20 dias, analisou prontuários, escalas de trabalho e imagens das câmeras de segurança, reunindo material suficiente para embasar as denúncias.

Após a demissão dos profissionais envolvidos, o caso foi formalmente encaminhado à PCDF. Durante os primeiros depoimentos, os suspeitos negaram qualquer irregularidade, mas acabaram mudando a versão ao serem confrontados com registros de vídeo e documentos internos. O inquérito segue tratando o caso como homicídio qualificado, enquanto novas diligências são realizadas para verificar se há outras possíveis vítimas. As autoridades reforçam que a investigação continua em andamento e que novas informações poderão surgir à medida que as análises avançam.

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