Notícias

Após mais de 25 metros de escavação, corpo de idosa desaparecida é localizado em poço

O desaparecimento de Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, chegou a um desfecho trágico nesta quarta-feira (21), em Bauru, no interior de São Paulo, após mais de um mês de buscas, incertezas e investigação intensa. O corpo da idosa foi encontrado em um poço caipira desativado, localizado no sítio onde ela morava, encerrando um caso que já mobilizava autoridades e chamava a atenção da população pela complexidade e pelo tempo prolongado sem respostas.

Segundo a apuração das autoridades, os restos mortais de Dagmar foram localizados por volta das 14h50, após uma operação que exigiu mais de 25 metros de escavação. O trabalho envolveu equipes da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Obras de Bauru, que atuaram de forma integrada desde o início das buscas no local, iniciado ainda em dezembro. A profundidade do poço e sua estrutura antiga tornaram a operação lenta e tecnicamente delicada.

A área passou a ser considerada um ponto-chave da investigação após um casal de caseiros, que trabalhava e morava na propriedade da vítima, ser preso suspeito de envolvimento no crime. Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, e Daniela dos Santos Vieira, de 40, foram detidos no dia 24 de dezembro, após deixarem o local e serem localizados no Paraná. Desde então, os investigadores concentraram esforços no sítio, que guardava indícios considerados relevantes.

Durante a investigação, o caseiro confessou informalmente ter agredido Dagmar e ocultado o corpo no poço. A Polícia Civil também apura a possível participação de um adolescente, filho do casal, que chegou a ser citado em versões preliminares do depoimento, mas posteriormente teve seu envolvimento negado pelo próprio pai. O menor permanece sob acompanhamento do Conselho Tutelar, enquanto o inquérito segue em andamento para esclarecer todas as responsabilidades.

Um dos pontos centrais da apuração é a possível motivação financeira. De acordo com a polícia, Dagmar teria feito doações de bens e dinheiro ao casal ao longo do tempo, incluindo a transferência de um terreno, que posteriormente foi recomprado pela idosa, além da entrega de um veículo. Esses movimentos patrimoniais levantaram suspeitas e passaram a ser analisados com cuidado pelos investigadores.

As buscas no poço exigiram medidas extremas. Para garantir a segurança das equipes e permitir o uso de maquinário pesado, foi necessária a demolição da casa onde Dagmar vivia. O espaço físico limitava o avanço da escavação, que ocorreu em etapas. Cada camada retirada exigia cautela, tanto pela instabilidade do solo quanto pelo risco de colapso da estrutura do poço.

Outro fator que dificultou o trabalho foi a presença de sacos de adubo jogados dentro do poço, estratégia que, segundo a polícia, teria sido usada para tentar mascarar o odor da decomposição. A retirada desse material exigiu tempo adicional e reforçou a complexidade da operação, que se estendeu por semanas e manteve a expectativa de familiares e da comunidade local.

Com a localização do corpo, o caso deixa oficialmente o status de desaparecimento e passa a ser tratado como homicídio. A investigação agora entra em uma nova fase, focada na consolidação de provas, na confirmação da dinâmica do crime e na responsabilização dos envolvidos. Embora uma das maiores perguntas tenha sido respondida nesta quarta-feira, outras ainda permanecem — e devem vir à tona à medida que a polícia aprofunda a apuração de um crime que chocou Bauru e marcou o início de 2026 com um desfecho tão grave quanto revelador.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: