Técnico de enfermagem confessa crimes em UTI e motivações são investigadas pela PCDF

Um caso chocante de mortes em série na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, Distrito Federal, veio à tona com a prisão de um técnico de enfermagem suspeito de liderar as ações criminosas. Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, foi detido durante a Operação Anúbis, deflagrada pela Polícia Civil do DF. As investigações apontam para pelo menos três óbitos confirmados, mas o número de vítimas pode chegar a 20, todos pacientes internados na UTI. O episódio expõe falhas graves no sistema de saúde e levanta questionamentos sobre a segurança em ambientes hospitalares.
O suspeito, que atuava diretamente no cuidado aos pacientes, inicialmente negou qualquer envolvimento nos crimes ao prestar depoimento aos investigadores. Confrontado com evidências irrefutáveis, como imagens de câmeras de segurança que registraram a falsificação de receitas médicas e a preparação de seringas com substâncias letais, ele acabou confessando parte das ações. As gravações mostram o técnico aplicando injeções em vítimas, incluindo o uso de desinfetante em pelo menos um caso, o que resultou em mortes rápidas e dolorosas.
Durante o interrogatório, Marcos Vinícius apresentou versões contraditórias sobre suas motivações, o que complicou a compreensão do caso. Em um primeiro momento, ele hesitou e mencionou que o plantão estava “pesado”, sugerindo uma sobrecarga de trabalho como possível justificativa, embora sem detalhes concretos. Essa explicação vaga não convenceu os delegados, que notaram a ausência de remorso ou emoção por parte do suspeito, descrevendo-o como extremamente frio.
Em uma segunda versão, o técnico alegou que suas ações visavam “aliviar o sofrimento” dos pacientes, pintando um quadro de eutanásia compassiva. No entanto, essa narrativa foi rapidamente desmentida pelas evidências, pois uma das vítimas iniciais estava consciente e em bom estado de saúde, sofrendo apenas de constipação intestinal. A discrepância entre as declarações reforça a suspeita de que as motivações reais possam ser mais complexas, possivelmente ligadas a transtornos psicológicos ou ganhos pessoais ainda não esclarecidos.
A Polícia Civil, sob a coordenação do delegado Maurício Iacozzilli, destacou a frieza do interrogado e a necessidade de aprofundar as investigações para identificar o verdadeiro ímpeto por trás dos atos. Duas colegas de trabalho, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, também foram presas por suposto envolvimento, formando um grupo que atuava de forma coordenada. A análise de prontuários e laudos periciais continua para confirmar o número exato de vítimas e o modus operandi completo.
Entre as mortes confirmadas estão as de João Clemente Pereira, Marcos Moreira e Miranilde Pereira da Silva, todos pacientes que receberam injeções fatais durante o plantão do suspeito. O uso de substâncias como desinfetantes e medicamentos em doses excessivas indica um planejamento meticuloso, o que agrava a percepção de premeditação. Familiares das vítimas expressaram indignação e demandam justiça, enquanto o hospital enfrenta escrutínio por não ter detectado as irregularidades a tempo.
O caso segue em andamento, com os suspeitos detidos preventivamente, e serve como alerta para a importância de protocolos rigorosos em UTIs. A sociedade aguarda respostas definitivas sobre as motivações, que podem revelar vulnerabilidades no sistema de saúde brasileiro. Enquanto isso, a investigação prossegue, visando não apenas punir os responsáveis, mas também prevenir tragédias semelhantes no futuro.



