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Técnico de enfermagem preso por mortes no DF não demonstrou arrependimento, diz polícia

A Polícia Civil do Distrito Federal segue aprofundando as investigações sobre a morte de três pacientes que estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga. O caso, que veio à tona nas últimas semanas e ganhou grande repercussão, trouxe à luz falhas graves de controle e uma atuação criminosa dentro de um ambiente que, em tese, deveria oferecer segurança e cuidado extremo.

Segundo os investigadores, as mortes estão relacionadas à aplicação irregular de substâncias diretamente na veia dos pacientes. O principal suspeito é o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos. Ele acabou confessando os crimes após ser confrontado com imagens do sistema interno de monitoramento do hospital. As gravações mostram desde a manipulação indevida de prescrições até a preparação e aplicação das substâncias.

De acordo com o delegado responsável pelo inquérito, Mauricio Iacozzilli, a conduta do investigado chamou atenção pela frieza e pela forma planejada. “Não houve impulso ou erro técnico. O que se viu foi uma sequência organizada de ações”, afirmou. Durante o interrogatório, ainda segundo a autoridade policial, Marcos Vinícius relatou os fatos sem demonstrar emoção ou arrependimento, tratando o episódio como algo rotineiro.

As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33, carteiro e pai de uma criança pequena; e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, professora aposentada conhecida na comunidade escolar de Ceilândia. Todos estavam internados na UTI do hospital particular e apresentavam quadros clínicos que, até então, não indicavam risco imediato de morte.

A investigação aponta que Marcos Vinícius iniciou a ação criminosa a partir de uma fraude no sistema do hospital. Ele teria acessado computadores utilizados por médicos e, usando credenciais de terceiros, elaborado prescrições falsas de medicamentos controlados. Com os documentos adulterados, retirava as substâncias na farmácia da UTI e as preparava de forma irregular, longe dos protocolos exigidos.

Outro ponto que chamou a atenção da polícia foi a tentativa de ocultar as ações. As seringas eram escondidas no bolso, prática totalmente incompatível com a rotina de uma UTI, onde todo material deve estar identificado e visível. Em um dos casos, a insistência do autor foi determinante para o desfecho, segundo os investigadores.

Além do principal suspeito, outras duas técnicas de enfermagem foram presas e indiciadas por homicídio doloso. Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos, estagiária na época, acompanhava Marcos Vinícius durante o treinamento. Para a polícia, embora não tenha aplicado as substâncias, ela presenciou as irregularidades e se omitiu, o que contribuiu para que os fatos ocorressem sem interrupção.

Já Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, mantinha vínculo próximo com o autor e teria participado ativamente em pelo menos dois episódios. Segundo a investigação, ela ajudava a vigiar o ambiente, observando a movimentação no corredor e se posicionando de forma a impedir que outras pessoas percebessem o que estava acontecendo.

Inicialmente, Marcos Vinícius afirmou que apenas cumpria ordens médicas. Essa versão caiu por terra após a análise das imagens. Em outro momento, alegou cansaço do plantão e, depois, disse que buscava aliviar o sofrimento dos pacientes, justificativa que não se sustenta diante dos laudos e depoimentos colhidos.

A polícia decidiu agir com rapidez ao descobrir que o técnico também atuava em uma UTI Neonatal, o que acendeu um alerta imediato. Agora, além de concluir o inquérito sobre as três mortes confirmadas, a Polícia Civil analisa outros atestados e investiga se houve episódios semelhantes em hospitais onde os envolvidos trabalharam anteriormente.

Para as famílias, o impacto vai além da perda. Muitas relataram que viveram um “segundo luto” ao descobrir que a morte dos parentes não foi consequência natural do quadro clínico, mas resultado de uma ação intencional. O caso segue em apuração e deve trazer novos desdobramentos nos próximos meses.
 

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