Mulher atropelada é dada como morta pelo SAMU, deixada na pista e reanimada por socorristas

Na maioria das vezes, quando pensamos em atendimentos de emergência, imaginamos protocolos rígidos, sirenes, decisões rápidas e pouco espaço para erros. E, de fato, esse universo funciona no limite. Ainda assim, episódios recentes mostram que, mesmo em meio à pressão, a atenção humana e a sensibilidade profissional seguem sendo peças-chave para mudar destinos.
Foi o que aconteceu na noite de domingo, 18 de janeiro, em Bauru, no interior de São Paulo. Um atropelamento registrado na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294) quase terminou de forma irreversível, mas ganhou um desfecho inesperado graças ao olhar atento de um médico que passava pelo local.
Segundo o boletim de ocorrência, a equipe do Samu foi acionada logo após o acidente. Ao chegar, os socorristas realizaram os procedimentos iniciais e, naquele momento, entenderam que a mulher de 29 anos não apresentava sinais vitais. Diante disso, o Instituto Médico Legal (IML) foi comunicado para a remoção do corpo, e a via precisou ser parcialmente interditada.
A cena, que infelizmente não é rara em rodovias movimentadas, seguia o protocolo padrão. A vítima foi coberta com uma manta térmica e permaneceu sobre a pista enquanto aguardava os próximos encaminhamentos. Tudo indicava que a ocorrência estava encerrada.
Mas foi justamente nesse intervalo que algo mudou.
Um médico da concessionária responsável pelo trecho trafegava pela rodovia quando percebeu algo fora do comum. De forma cuidadosa, ele notou movimentos respiratórios sutis na mulher. Um detalhe que poderia passar despercebido, mas que fez toda a diferença naquele momento.
Sem hesitar, o profissional iniciou imediatamente as manobras de reanimação cardiopulmonar. A resposta veio rápido. A vítima apresentou sinais de estabilização e foi encaminhada, com urgência, ao Pronto-Socorro Central de Bauru. De lá, devido à gravidade do quadro, acabou transferida para o Hospital de Base, onde permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O motorista envolvido no atropelamento relatou à Polícia Civil que a pedestre teria atravessado a rodovia de forma repentina, o que impossibilitou qualquer tentativa de frear ou desviar a tempo. A dinâmica do acidente segue sob investigação, assim como o atendimento inicial prestado no local.
Em nota, a Prefeitura de Bauru informou que irá apurar as circunstâncias do atendimento realizado pelo Samu e que adotará as medidas necessárias caso sejam confirmadas falhas nos procedimentos. O objetivo, segundo o município, é garantir a segurança e a qualidade dos serviços prestados à população.
Mais do que um caso isolado, o episódio levanta reflexões importantes. Em tempos em que se fala tanto em tecnologia, protocolos e automação, a história reforça que o fator humano ainda é insubstituível. A atenção aos detalhes, a experiência e, principalmente, a sensibilidade de quem atua na linha de frente podem redefinir o rumo de uma ocorrência.
Naquela noite, em meio ao asfalto, luzes e tensão, foi um olhar atento que transformou o que parecia um desfecho definitivo em uma nova oportunidade. Um lembrete claro de que, no resgate, cada segundo importa — e cada detalhe também.



