Em primeira viagem internacional da pré-candidatura, Flávio Bolsonaro v…Ver mais

A pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) começa a ganhar contornos mais claros antes mesmo de ele cair na estrada pelo Brasil. O senador escolheu iniciar sua movimentação política fora do país. A primeira viagem internacional como pré-candidato à Presidência da República terá como destino Israel, com embarque previsto para esta segunda-feira, dia 19. Na sequência, o roteiro inclui Bahrein e Emirados Árabes Unidos, com possibilidade de extensão para países da Europa.
A decisão chama atenção por ocorrer em pleno ano eleitoral e antes do tradicional giro nacional que costuma marcar o início das campanhas. Segundo pessoas próximas ao senador, o objetivo principal é fortalecer laços com lideranças conservadoras e nomes influentes da direita internacional. Entre eles, está o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, presença confirmada em um dos eventos que Flávio pretende participar.
Flávio e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, foram convidados para uma conferência internacional sobre antissemitismo, marcada para os dias 26 e 27 de janeiro, em Jerusalém. O convite partiu diretamente do ministro de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo de Israel, Amichai Chikli. A participação dos dois reforça a estratégia de projeção internacional do sobrenome Bolsonaro, algo que já vem sendo trabalhado nos últimos anos.
Eduardo Bolsonaro, inclusive, tem desempenhado papel central na construção dessa agenda. Reconhecido por sua atuação no campo das relações internacionais, ele tem articulado encontros e aproximações com lideranças alinhadas ao conservadorismo global. No fim do ano passado, Flávio esteve nos Estados Unidos para se reunir com o irmão e fez elogios públicos à sua capacidade de diálogo com figuras da direita internacional, como o presidente norte-americano Donald Trump.
Em entrevista ao influenciador Paulo Figueiredo, Flávio não poupou palavras ao comentar o assunto. Disse que o Brasil precisa manter proximidade com democracias ocidentais e reforçar valores que ele define como judaico-cristãos. As declarações foram interpretadas por analistas políticos como um sinal claro de continuidade ideológica em relação ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além do Oriente Médio, o senador também planeja novas viagens. A Argentina está no radar, seja nesta mesma agenda ou em um próximo deslocamento. No ano passado, Flávio já havia visitado El Salvador, onde se encontrou com o presidente Nayib Bukele, figura admirada por setores conservadores da América Latina por seu discurso firme na área de segurança pública.
O retorno ao Brasil está previsto para o dia 15 de fevereiro. Até lá, parte da ausência no Senado Federal já foi formalmente autorizada. A Casa aprovou a missão oficial entre os dias 26 de janeiro e 6 de fevereiro, período em que Flávio estará em Israel, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. O recesso parlamentar termina no dia 1º de fevereiro, e as atividades legislativas seguem normalmente após essa data.
Com o encerramento da agenda internacional, o foco passa a ser o território nacional. O roteiro da pré-campanha ainda está em construção, mas Minas Gerais deve ser o primeiro grande teste político. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma ser decisivo em disputas presidenciais. Também estão previstas visitas ao Norte e ao Nordeste, regiões onde a esquerda mantém, historicamente, maior força eleitoral.
A estratégia indica que Flávio Bolsonaro pretende combinar projeção internacional com presença regional, buscando ampliar seu espaço político em um cenário eleitoral que promete ser competitivo e polarizado.



