Quem são as três vítimas fatais em queda de helicóptero no RJ

A manhã deste sábado começou diferente em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ainda cedo, moradores perceberam a movimentação incomum de equipes de resgate em uma área de mata fechada, próxima ao cruzamento da avenida Levy Neves com a rua Tasso da Silveira. Pouco depois, a confirmação que ninguém gostaria de ouvir: a queda de uma aeronave havia tirado a vida de três pessoas, todas com ligação direta com a aviação e com o serviço público.
A Polícia Civil do Rio confirmou, ao longo do dia, a identidade das vítimas. Estavam a bordo Sérgio Nunes Miranda, major da Força Aérea Brasileira (FAB), Lucas Silva Souza, capitão do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro, e Diego Dantas Lima Morais, instrutor de voo. Três trajetórias diferentes, mas unidas pelo mesmo caminho profissional e pela paixão por voar.
O helicóptero envolvido no acidente é um Robinson R44 II, modelo bastante conhecido no meio aeronáutico, utilizado tanto para instrução quanto para voos turísticos e executivos. Identificada pelo prefixo PS-GJS, a aeronave caiu por volta das 9h55, segundo informações do Corpo de Bombeiros. O local de difícil acesso exigiu o envio de equipes especializadas para o resgate e para a preservação da área, etapa essencial para o avanço das investigações.
Lucas Silva Souza era quem pilotava o helicóptero no momento do impacto. Capitão há cinco anos, ele integrava o Grupamento de Operações Aéreas dos Bombeiros do Rio e era reconhecido internamente pelo preparo técnico e pela postura serena em situações de pressão. Em 2023, inclusive, teve um artigo científico premiado, no qual discutia a importância da segurança jurídica na tomada de decisões durante missões aeromédicas — um tema sensível e atual dentro das corporações de resgate.
O instrutor Diego Dantas Lima Morais era o único civil entre as vítimas. Funcionário da empresa SkyRio, especializada em voos panorâmicos sobre os cartões-postais da cidade, ele acumulava horas de voo e era descrito por colegas como alguém sempre disposto a ensinar, corrigir e incentivar novos pilotos. Para muitos, Diego fazia questão de lembrar que voar exige técnica, mas também humildade e respeito às condições do dia.
Já o major Sérgio Nunes Miranda tinha uma carreira sólida na FAB. Em 2018, participou dos voos de teste do helicóptero H-36 Caracal, recém-incorporado à frota da Força Aérea na época. Fora da vida militar, Sérgio era bastante ativo nas redes sociais, onde reunia mais de 30 mil seguidores interessados em conteúdos sobre aviação. Também se dedicava ao trabalho voluntário como coordenador do Projeto Semeando o Amanhã, iniciativa voltada ao apoio de famílias em situação de vulnerabilidade na Comunidade do Guarda, no próprio Rio.
Diante da perda, o Corpo de Bombeiros divulgou uma nota oficial de pesar, destacando a trajetória e o compromisso de Lucas Silva Souza com a missão de salvar vidas. A mensagem, compartilhada nas redes da corporação, rapidamente recebeu manifestações de colegas, amigos e cidadãos que reconheciam o trabalho silencioso, mas essencial, dos profissionais do ar.
As investigações seguem em andamento e devem apurar as causas técnicas do acidente. Enquanto isso, Guaratiba amanheceu mais silenciosa, e a cidade, mais uma vez, se vê diante da lembrança de que por trás dos uniformes e das aeronaves existem pessoas, histórias e sonhos interrompidos cedo demais.



