Notícias

Marina Silva deixa o governo Lula e movimenta bastidores para criar novo partido

A decisão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de deixar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até abril movimentou o cenário político nacional e reacendeu debates sobre os rumos da centro-esquerda para as próximas eleições. A saída, articulada com antecedência, tem caráter estratégico e está diretamente ligada aos planos eleitorais da ministra, que avalia novas alianças e até mesmo a criação ou filiação a uma nova legenda. Nos bastidores, a leitura é de que não se trata apenas de uma mudança administrativa, mas de um reposicionamento político pensado para ampliar seu campo de atuação.

A movimentação não surpreende analistas que acompanham a trajetória de Marina. Conhecida por manter postura independente mesmo quando integra governos ou partidos robustos, a ministra sempre preservou autonomia programática, sobretudo em temas ambientais. Desta vez, porém, o contexto é mais sensível: com o calendário eleitoral se aproximando e um Congresso fragmentado, Marina avalia com cautela o momento mais adequado para anunciar seus próximos passos. Entre as alternativas estudadas estão siglas do campo progressista, como o Partido dos Trabalhadores, o Partido Socialista Brasileiro e o PSOL, além de conversas sobre um novo projeto partidário.

Uma hipótese que ganhou força recentemente é a de uma candidatura ao Senado, possivelmente compondo uma chapa majoritária com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A ideia, no entanto, ainda está em fase de sondagem. Haddad também figura como potencial candidato ao governo paulista, o que torna o desenho eleitoral incerto. Em Brasília, a avaliação predominante é de que alianças só serão definidas quando o tabuleiro estiver mais claro, já que o cenário pode mudar rapidamente conforme avançam as negociações partidárias.

De acordo com informações divulgadas pelo Poder360, Marina já descartou uma candidatura à Câmara dos Deputados. A análise interna aponta que um cargo de menor projeção nacional não dialoga com sua história política nem com o capital simbólico acumulado ao longo de décadas de atuação. A pauta ambiental, central em sua trajetória, voltou ao centro do debate global diante de eventos climáticos extremos, acordos internacionais e cobranças crescentes da sociedade, o que reforça a percepção de que Marina segue sendo um nome de peso no debate público.

A decisão de se desfiliar da Rede Sustentabilidade, partido que ajudou a fundar, é resultado de um desgaste progressivo. Divergências internas, especialmente com a deputada federal Heloísa Helena, minaram a convivência política. Com o fortalecimento de alas internas que defendiam outros rumos para a legenda, o ambiente tornou-se cada vez menos favorável à permanência da ministra, mesmo com sua relevância histórica para o partido.

O ponto de inflexão ocorreu após mudanças nas regras internas da sigla, que passaram a priorizar candidaturas de parlamentares com pelo menos dois anos de mandato. Na prática, a alteração reduziu o espaço político de Marina, que dedicou os últimos anos integralmente à condução do Ministério do Meio Ambiente. Aliados relatam que a ministra se sentiu deslocada dentro da própria legenda, o que acelerou a decisão de buscar novos caminhos.

Enquanto define o futuro partidário, Marina segue sendo cortejada por diferentes grupos políticos. O fortalecimento da agenda ambiental, impulsionado por crises climáticas e pressões internacionais, elevou sua relevância no debate eleitoral. Apesar disso, a ministra mantém cautela em público, evita confirmar filiações, cargos ou alianças e prefere observar o cenário com atenção. A avaliação de pessoas próximas é de que Marina aposta no timing correto: após anos de experiência e desafios enfrentados, ela sabe que, na política, decisões bem calculadas fazem toda a diferença.

CONTINUAR LENDO →

LEIA TAMBÉM: