Crianças desaparecidas no MA: novos indícios em casa abandonada são revelados

As buscas pelos primos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, entraram nesta sexta-feira (16) em um momento decisivo. Já são 13 dias de operações contínuas na região de Bacabal, no Maranhão, e o clima entre equipes e moradores mistura cansaço, expectativa e uma esperança que insiste em permanecer de pé.
Segundo o secretário de Segurança Pública do estado, Maurício Martins, os trabalhos agora seguem por um novo caminho. Depois de praticamente esgotar todas as possibilidades em terra firme, as forças de segurança passaram a concentrar esforços em buscas subaquáticas. Rios, igarapés e áreas alagadas próximas ao quilombo de São Sebastião dos Pretos — onde as crianças foram vistas pela última vez, no dia 4 de janeiro — se tornaram o foco principal da operação.
O cenário da região é desafiador. Mata fechada, terrenos irregulares e cursos d’água que mudam conforme o nível das chuvas tornam qualquer deslocamento lento e complexo. Ainda assim, profissionais do Corpo de Bombeiros seguem percorrendo trechos de rio com atenção redobrada, enquanto mergulhadores especializados analisam pontos considerados estratégicos. “Nós não vamos sair daqui enquanto não houver uma resposta”, reforçou o secretário, em declaração à imprensa local.
Nos últimos dias, um detalhe chamou a atenção das equipes e trouxe um fio de esperança. Foi confirmada a informação de que Ágatha e Allan conseguiram se abrigar em uma estrutura improvisada no meio da mata, descrita pelos agentes como uma “casa caída”. O local serviu de dormitório por pelo menos uma noite, indicando que as crianças estavam vivas e tentando se proteger do frio e da chuva. Infelizmente, após essa descoberta, não surgiram novos vestígios que apontassem para o caminho seguido pelos primos.
A força-tarefa montada para o resgate impressiona pelo tamanho. São centenas de pessoas envolvidas, entre policiais, bombeiros, militares do Exército Brasileiro e reforços vindos dos estados do Ceará e do Pará. Além disso, moradores da própria comunidade quilombola têm colaborado ativamente, oferecendo conhecimento da região, apoio logístico e até palavras de conforto aos familiares.
Como os últimos dias não apresentaram novos sinais de deslocamento em terra, a principal hipótese investigada agora é a de que as crianças possam ter se aproximado de algum curso d’água. Essa possibilidade orienta a atual estratégia e explica a intensificação das buscas nos rios e áreas alagadas.
Para ampliar as chances de um desfecho positivo, o governo do Maranhão mantém a oferta de uma recompensa de R$ 20 mil para quem fornecer informações que levem à localização de Ágatha e Allan. As autoridades reforçam que qualquer detalhe, por menor que pareça, pode ser crucial. As informações podem ser repassadas de forma anônima pelo telefone 181.
Enquanto o tempo passa, a operação segue em ritmo intenso. Entre sirenes, botas enlameadas e olhares atentos, permanece o compromisso das forças de segurança e da comunidade local: não medir esforços até que as crianças sejam encontradas e essa história, que comoveu o estado, tenha um desfecho.



