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Moraes recebeu Michelle horas antes de mandar Bolsonaro para Papudinha

Na quinta-feira, 15 de janeiro, Brasília viveu mais um daqueles dias em que os bastidores da política falaram tão alto quanto os discursos oficiais. Enquanto a cidade seguia sua rotina acelerada, com o Congresso retomando o ritmo após o recesso e o Supremo Tribunal Federal novamente no centro das atenções, um encontro discreto acabou ganhando peso simbólico e político.

O ministro Alexandre de Moraes recebeu, em seu gabinete no STF, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A audiência ocorreu poucas horas antes de Moraes determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido popularmente como “Papudinha”. A proximidade entre os dois fatos chamou a atenção de quem acompanha de perto o noticiário político.

Segundo apuração divulgada em colunas especializadas, o encontro foi intermediado pelo deputado federal Altineu Cortês (PL-RJ), atual vice-presidente da Câmara. A reunião não constava na agenda pública do ministro, o que é comum em situações sensíveis e de caráter institucional. Ainda assim, o conteúdo da conversa acabou vindo a público ao longo do dia, alimentando debates e análises em rodas políticas, redes sociais e programas jornalísticos.

Durante a audiência, Michelle Bolsonaro fez um apelo direto: pediu que o marido deixasse as dependências da Polícia Federal e fosse autorizado a cumprir prisão domiciliar. O argumento, segundo pessoas próximas, girou em torno de questões pessoais e do momento delicado vivido pela família. Moraes, no entanto, manteve a decisão já em curso e não atendeu ao pedido apresentado pela ex-primeira-dama.

Esse não foi o primeiro movimento de Michelle em busca de diálogo no Supremo. No início da mesma semana, ela já havia se reunido com o ministro Gilmar Mendes, atual decano da Corte. A conversa também teve como foco a situação jurídica de Jair Bolsonaro, em um esforço que mostra a tentativa de esgotar todas as vias institucionais possíveis antes do desfecho das decisões judiciais.

Nos corredores de Brasília, o episódio foi interpretado de diferentes formas. Para alguns parlamentares, a postura de Michelle reflete um papel mais ativo na defesa do marido, algo que já vinha sendo observado desde o fim do mandato presidencial. Para outros, trata-se de um gesto compreensível do ponto de vista humano, ainda que com pouco impacto prático diante da posição já consolidada do STF no caso.

O fato é que a cena resume bem o clima político atual do país: decisões judiciais com forte repercussão, articulações silenciosas e uma sociedade atenta a cada detalhe. Em um Brasil ainda marcado por polarizações, qualquer movimento envolvendo figuras centrais do cenário recente ganha dimensões que vão além do ato em si.

Enquanto isso, o Supremo segue tentando equilibrar rigor jurídico e estabilidade institucional, sob o olhar atento da opinião pública e da imprensa. O encontro entre Alexandre de Moraes e Michelle Bolsonaro, embora breve e sem mudanças no desfecho imediato, entra para a lista de episódios que ajudam a entender como política, Justiça e relações pessoais continuam profundamente entrelaçadas na capital federal.

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