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Bacabal-MA: Mãe rompe o silêncio e revela a dor pelas crianças desaparecidas

Mãe de crianças desaparecidas em Bacabal quebra o silêncio e relata angústia: “Uma dor que não desejo a ninguém”

A cidade de Bacabal, no Maranhão, segue em clima de apreensão após o desaparecimento de Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michel, de 4, que estão sumidos há mais de dez dias. Pela primeira vez desde o início das buscas, a mãe das crianças, Clarice Cardoso, decidiu falar publicamente sobre o drama que vem enfrentando. Visivelmente abalada, ela relatou a profundidade da dor que tem vivido e a dificuldade em lidar com a incerteza sobre o paradeiro dos filhos. Em entrevista à TV Globo, Clarice expôs sentimentos que misturam medo, esperança e exaustão diante de um cenário que desafia equipes de resgate e toda a comunidade local.

Durante o depoimento, Clarice afirmou que a maior angústia é não saber o que realmente aconteceu com as crianças e por qual motivo elas desapareceram. Segundo ela, essa dúvida tem sido a principal causa do seu sofrimento. “Espero que eles encontrem meus filhos. Se pegaram, saber quem pegou e o porquê. Isso que passa na minha cabeça”, declarou. A mãe também relatou que tem passado dias sem se alimentar adequadamente e recorrendo a medicação para lidar com o nervosismo crescente. Com a voz embargada, destacou que vive um tormento contínuo e pediu que quem estiver com as crianças — caso essa hipótese se confirme — devolva os pequenos à família.

Enquanto a mãe enfrenta a dor emocional, as equipes de busca intensificam as ações para tentar localizar os irmãos. Nesta quarta-feira (14), uma nova fase das buscas foi iniciada com o apoio de mergulhadores do Corpo de Bombeiros. Eles realizaram varreduras no Lago Limpo, uma área de difícil acesso e vegetação fechada. A operação deve continuar até esta quinta-feira, quando um segundo lago da região também será examinado. Em nota, o Corpo de Bombeiros reforçou que o objetivo é ampliar as áreas de investigação, já que a região onde os pequenos desapareceram possui mata densa, lagos e trilhas que dificultam o trabalho de resgate.

O desaparecimento das crianças ocorreu em 4 de janeiro, quando Ágatha e Allan brincavam em uma área de mata no território quilombola São Sebastião dos Pretos. Eles estavam acompanhados do primo, Anderson Kauã Barbosa Reis, de oito anos, que também sumiu no mesmo dia. Três dias depois, Anderson foi encontrado vivo por produtores rurais, que o avistaram enquanto se deslocavam em uma carroça para trabalhar. O menino estava desorientado, sem roupas e apresentava sinais de desgaste físico. O resgate trouxe alívio, mas também novos questionamentos sobre o que teria acontecido nas horas seguintes ao desaparecimento dos três.

Após ser resgatado, Anderson relatou às autoridades que não houve sequestro. Segundo ele, o trio entrou no mato sozinho e acabou se perdendo, o que prolongou a permanência na floresta. O menino teria caminhado por longas horas até ser localizado. A versão do garoto desviou momentaneamente o foco das investigações para um possível caso de desorientação e fuga involuntária, o que é compatível com a idade das crianças. Após passar por atendimento médico e exames completos no Hospital Geral de Bacabal, o governo do Maranhão descartou qualquer indício de abuso no caso. As autoridades reforçaram que a prioridade continua sendo encontrar Ágatha e Allan.

Mesmo com o relato de Anderson, autoridades seguem explorando diferentes linhas de investigação. A mata onde as crianças desapareceram é extensa, e equipes especializadas trabalham em conjunto com cães farejadores, drones, mergulhadores e guias da região. As buscas agora se expandem por rios, lagos e áreas mais remotas, já que o terreno acidentado pode ter dificultado o retorno das crianças. O governo do Maranhão permanece mobilizado e reforçou o apoio logístico às equipes no local. Em pronunciamento, o governador destacou: “Não podemos desistir de uma vida. Faremos o possível e o impossível para encontrar essas crianças”.

Enquanto as buscas seguem, a população de Bacabal se une em correntes de oração, vigílias e apoio à família. A dor de Clarice se tornou a dor de toda a cidade. Redes sociais se mobilizam diariamente compartilhando fotos, atualizações e pedidos de informação. O caso, que ganhou repercussão nacional, reacende a discussão sobre segurança de crianças em áreas rurais e a importância de respostas rápidas em situações de desaparecimento. As autoridades reforçam que qualquer informação pode ser decisiva e pedem que a população permaneça vigilante e colaborativa. O desfecho ainda é incerto, mas a esperança segue viva no coração de quem aguarda o reencontro.

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