Flávio Bolsonaro diz que Eduardo o levou a reuniões “estratégicas” nos EUA

A cena chamou atenção em Brasília nesta terça-feira, dia 13, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) falou com a imprensa após deixar a Superintendência da Polícia Federal. Ele havia acabado de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e aproveitou o momento para comentar um assunto que vem ganhando espaço nos bastidores políticos: sua movimentação internacional e a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2026.
Em tom tranquilo, Flávio confirmou que, durante uma recente passagem pelos Estados Unidos, participou de encontros que classificou como “estratégicos”. Segundo ele, essas reuniões foram articuladas pelo irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e tinham como objetivo apresentá-lo a interlocutores internacionais como um possível pré-candidato ao Palácio do Planalto. O senador, no entanto, fez questão de dizer que as conversas foram iniciais e sem aprofundamento em propostas ou alianças formais.
“O Eduardo fez também algumas reuniões, muito mais para me apresentar como um pré-candidato à Presidência do Brasil. Foram boas as conversas, sem entrar em detalhes”, afirmou Flávio, ao responder perguntas dos jornalistas. A fala reforça a estratégia do grupo político de manter o nome em circulação, testando reações e construindo pontes fora do país, algo que tem se tornado cada vez mais comum no cenário político brasileiro.
A viagem aos Estados Unidos e os encontros relatados ocorreram em meio a um momento de reorganização da direita. Com o calendário eleitoral ainda distante, lideranças buscam espaço, visibilidade e apoio, tanto no Brasil quanto no exterior. Para aliados de Flávio, esse tipo de agenda ajuda a posicionar o senador como alguém disposto a dialogar em diferentes ambientes, inclusive no campo internacional.
Outro ponto abordado por Flávio foi a repercussão em torno de um suposto pedido de encontro com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Nos últimos dias, circularam informações de que o senador teria tentado agendar uma conversa e recebido uma negativa. Flávio tratou de esclarecer a situação e negou que tenha feito qualquer solicitação nesse sentido.
“A imprensa ficou repercutindo que ele teria negado se encontrar comigo. Seria uma honra encontrar com ele, mas não pedi”, disse. A declaração buscou encerrar especulações e reduzir ruídos que poderiam alimentar interpretações exageradas sobre sua agenda no exterior.
Nos corredores do Congresso, a fala do senador foi lida como parte de um esforço para equilibrar dois movimentos: manter-se no jogo político nacional e, ao mesmo tempo, evitar desgastes prematuros. Ao não detalhar as reuniões nem confirmar articulações mais profundas, Flávio sinaliza cautela, algo considerado importante em um cenário ainda indefinido.
Enquanto isso, o nome Bolsonaro continua sendo um dos mais comentados quando se fala em 2026. Seja por declarações públicas, viagens internacionais ou movimentações discretas, a família segue no centro do debate político. Para analistas, o simples fato de Flávio admitir conversas com esse objetivo já indica que a pré-campanha, mesmo informal, começou.
Por ora, o senador prefere adotar um discurso moderado, sem promessas ou anúncios contundentes. Ainda assim, cada palavra é observada com atenção. Em um ambiente político cada vez mais conectado e atento aos sinais, até conversas “sem entrar em detalhes” acabam ganhando peso e significado.



