ENVOLVIDA? Suzane Von Richthofen tentou liberar corpo do tio, que foi encontrado morto

A Polícia Civil de São Paulo segue investigando as circunstâncias da morte do médico Miguel Abdala Netto, de 76 anos, encontrado sem vida em sua residência no bairro Campo Belo, na zona sul da capital paulista. O que inicialmente parecia apenas mais um caso de óbito a ser esclarecido acabou ganhando atenção nacional por envolver um sobrenome que, há mais de duas décadas, já esteve no centro de um dos episódios mais conhecidos do país.
Miguel vivia sozinho e, segundo informações preliminares, não tinha filhos nem irmãos vivos. Por isso, a apuração, que começou de forma discreta, rapidamente passou a levantar dúvidas não apenas sobre a causa da morte, mas também sobre quem teria legitimidade para conduzir os trâmites legais após o falecimento. Como ocorre em situações assim, a polícia optou pela cautela e classificou o caso como óbito suspeito, aguardando a conclusão de exames técnicos.
O ponto de virada veio quando Suzane von Richthofen procurou a 27ª Delegacia de Polícia para tratar da liberação do corpo. Ela afirmou ser a parente consanguínea mais próxima do médico e demonstrou interesse em assumir os procedimentos necessários para o sepultamento. A solicitação, no entanto, foi negada pelas autoridades, que decidiram aguardar o resultado das análises periciais antes de qualquer liberação.
Essa movimentação abriu espaço para um impasse familiar. Um dia antes da ida de Suzane à delegacia, Sílvia Magnani, prima e ex-companheira de Miguel, também havia comparecido ao local. Ela foi autorizada apenas a reconhecer o corpo no Instituto Médico Legal (IML). Em depoimento, Sílvia declarou que o médico não tinha intenção de deixar seus bens para a sobrinha e que acreditava na existência de um testamento que formalizaria essa decisão. Até o momento, porém, nenhum documento desse tipo foi apresentado oficialmente.
Além da carga emocional evidente, o caso envolve uma possível disputa patrimonial. Miguel Abdala Netto deixou imóveis em São Paulo e um sítio no litoral, avaliados em cerca de R$ 5 milhões. Com a negativa da polícia em liberar o corpo, Suzane recorreu à Justiça e entrou com um pedido de tutela para discutir sua posição como herdeira e eventual inventariante do espólio. O pedido agora será analisado pelo Judiciário, que deverá avaliar os vínculos familiares e a legislação aplicável.
Enquanto isso, os exames toxicológicos seguem em andamento, e não há prazo divulgado para a conclusão dos laudos. Por precaução, o corpo permanece no IML, à espera de definições técnicas e legais. Esse cenário de indefinição tem alimentado especulações e aumentado a curiosidade do público, especialmente nas redes sociais, onde o caso passou a ser comentado com intensidade.
Nos últimos dias, a tensão em torno do episódio aumentou após pichações surgirem no imóvel onde o médico morava. O fato chamou a atenção de vizinhos e levou a polícia a reforçar a vigilância na área, evitando novos incidentes. Ainda não se sabe quem foi responsável pelos atos nem se eles têm relação direta com o caso.
O desfecho dessa história agora depende de dois fatores centrais: os laudos periciais, que devem esclarecer a causa da morte, e a decisão da Justiça, que irá definir os rumos legais envolvendo a família e o patrimônio deixado pelo médico. Até lá, o caso segue cercado de expectativa, silêncio oficial e muitas perguntas à espera de resposta.



