Terminam as buscas por criança que estava desaparecida há 11 dias

Depois de quase duas semanas de expectativa, angústia e trabalho incansável, foi encerrada na tarde deste domingo (11) uma das operações de busca mais longas já registradas na região do rio Chapecozinho. A confirmação veio do Corpo de Bombeiros Militar: o corpo da menina Yasmin Sechini, de 9 anos, foi localizado após 11 dias de buscas contínuas.
Desde o primeiro chamado, equipes especializadas se revezaram diariamente em um esforço que mobilizou não apenas profissionais treinados, mas também a atenção de toda a comunidade local. A cada dia que passava, moradores acompanhavam as atualizações com esperança, compartilhando informações e prestando apoio às equipes no que fosse possível.
Segundo os bombeiros, Yasmin foi encontrada a cerca de 5,5 quilômetros do ponto inicial das buscas. O planejamento inicial previa a varredura de um trecho maior, com aproximadamente 9 quilômetros, mas a estratégia precisou ser revista ao longo dos dias. O rio apresentou desafios que exigiram adaptações constantes e decisões técnicas cuidadosas.
O Chapecozinho não é um rio simples. Ao longo do percurso, as equipes enfrentaram correnteza forte, trechos estreitos, quedas-d’água e áreas de difícil acesso. Em alguns pontos, o deslocamento só era possível com manobras precisas, uso de equipamentos específicos e análise contínua dos riscos envolvidos. Cada avanço exigia atenção redobrada.
Na tarde deste domingo, os bombeiros decidiram concentrar esforços em um local específico: um remanso situado antes da última queda-d’água, próximo a uma pequena central hidrelétrica. A decisão não foi aleatória. Indícios encontrados na área levaram ao reforço do efetivo e à intensificação das buscas naquele ponto.
Por volta das 14h40, Yasmin foi localizada. No entanto, a retirada do corpo levou várias horas e só foi concluída às 18h40, devido às condições naturais do terreno e à complexidade do local. Somente neste domingo, a operação somou mais de 12 horas de atuação ininterrupta, encerrando um trabalho marcado por persistência, técnica e respeito.
O caso teve início na quinta-feira, dia 1º, quando Yasmin e sua mãe, Patrícia Sechini, desapareceram após entrarem no rio durante um momento de lazer. Testemunhas relataram que ambas foram surpreendidas pela força da água. O corpo da mãe foi localizado no sábado seguinte, dia 3, preso a uma das margens do rio, o que intensificou ainda mais os esforços para encontrar a criança.
O desfecho é doloroso e deixa marcas profundas em familiares, amigos e em toda a comunidade que acompanhou o caso de perto. Ao mesmo tempo, o episódio reforça um alerta importante: rios com correnteza intensa e trechos instáveis exigem cuidado máximo, especialmente em períodos de maior volume de água, como os registrados recentemente em diversas regiões do país.
A atuação dos bombeiros, marcada por profissionalismo e dedicação, também chama atenção para a complexidade desse tipo de ocorrência. Mais do que números e quilômetros percorridos, ficam o empenho humano, a solidariedade da comunidade e a lembrança de que a natureza, mesmo em momentos de lazer, precisa ser respeitada.



