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Jornalista morre aos 38 anos após cair do sétimo andar

Horas antes de morrer, o jornalista russo Mikhail Safronov deixou uma mensagem que hoje é vista como um dos pontos centrais de um caso cercado por dúvidas. Publicada de forma direta e angustiada, a mensagem relatava uma suposta invasão em suas contas digitais e a sensação constante de estar sendo observado. O texto, escrito em russo e direcionado à família, rapidamente ganhou repercussão internacional após a confirmação de sua morte em Paris.

Safronov afirmava que seu Telegram havia sido tomado por terceiros, que celulares e aplicativos estariam clonados e que conversas pessoais teriam sido interceptadas. No mesmo relato, fez questão de frisar que nunca trabalhou a serviço de interesses governamentais e que não havia sido recrutado por ninguém. Para pessoas próximas, aquele não foi um desabafo isolado. Nos dias anteriores, ele já demonstrava preocupação crescente com segurança digital e relatava ter recebido ameaças.

A morte ocorreu após uma queda de grande altura no apartamento que ele alugava na capital francesa. A polícia local informou, em nota, que abriu uma investigação para apurar as circunstâncias do episódio. Entre os pontos analisados estão o estado psicológico do jornalista nos dias que antecederam a queda e os elementos encontrados no local. Até o momento, não há uma conclusão oficial.

Segundo informações do jornal francês Le Figaro, investigadores localizaram uma cadeira próxima à janela do imóvel, além de medicamentos descartados em uma lixeira. Esses detalhes passaram a integrar a apuração, que segue em andamento. As autoridades evitam conclusões precipitadas e reforçam que todas as hipóteses estão sendo consideradas.

O caso chamou atenção não apenas pelas circunstâncias, mas também pelo histórico recente envolvendo críticos e opositores do governo russo que morreram fora do país. Em redes sociais e análises jornalísticas, comparações surgiram quase imediatamente, ainda que especialistas alertem para a importância de aguardar os resultados oficiais da investigação francesa.

O tabloide britânico The Sun informou que Safronov apresentava forte nervosismo após acreditar ter sido alvo de um ataque cibernético pouco antes da morte. Um amigo que conversou com ele três dias antes relatou que o jornalista parecia emocionalmente abalado, demonstrando medo constante de vigilância. Outro profissional russo, também radicado em Paris, confirmou que Safronov mencionava com frequência a sensação de estar sendo intimidado.

Safronov deixou a Rússia em 2021, após o veículo Open Media, onde atuava, ser rotulado pelo Kremlin como “agente estrangeiro”. Esse tipo de classificação é alvo de críticas de organizações internacionais por ser vista como uma ferramenta de pressão contra o jornalismo independente. Desde então, o jornalista passou a viver fora do país, mantendo uma postura crítica em relação às restrições à liberdade de expressão.

Ao longo da carreira, Safronov participou de protestos, respondeu a processos e se posicionou publicamente em defesa de colegas perseguidos. Também comentou o caso do opositor Alexei Navalny, que morreu no ano passado, reacendendo debates sobre o ambiente político russo.

Enquanto a investigação segue, o episódio permanece envolto em incertezas. Para muitos, mais do que um caso isolado, a morte de Safronov reforça o clima de tensão vivido por jornalistas críticos ao poder, mesmo quando estão longe de seu país de origem.

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