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Tornado volta a atingir o Paraná, ventos alcançaram 180 km/h

A natureza, quando decide mostrar sua força, não avisa com antecedência suficiente para preparar corações e telhados. Em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, o fim de tarde de sábado, 19 de janeiro, parecia seguir o roteiro comum do verão: calor, céu carregado e aquele vento que dá sinais de mudança. Em poucos minutos, porém, o cenário mudou completamente.

Um tornado, com ventos estimados em até 180 km/h, cruzou parte da cidade e deixou um rastro de espanto. Segundo o Simepar, o fenômeno foi classificado como F2 na Escala Fujita, usada para medir a intensidade dos tornados com base nos danos observados. Apesar de ter sido considerado estreito em extensão, seus efeitos foram tudo menos pequenos.

O bairro Guatupê foi o mais atingido. Cerca de 350 residências sofreram algum tipo de dano, impactando diretamente mais de 1,2 mil moradores. Árvores caíram como se fossem palitos, muros não resistiram à pressão do vento e postes acabaram cedendo. Duas famílias precisaram deixar suas casas temporariamente, enquanto duas pessoas tiveram ferimentos leves e receberam atendimento médico.

De acordo com o meteorologista Leonardo Furlan, o funil de vento se formou no fim da tarde e percorreu aproximadamente um quilômetro, tocando o solo em pontos específicos. Isso explica por que algumas ruas foram fortemente afetadas, enquanto outras, logo ao lado, praticamente não tiveram danos. É uma característica comum desse tipo de fenômeno e, muitas vezes, difícil de compreender para quem presencia a cena de perto.

A tempestade que deu origem ao tornado não surgiu do nada. Ela começou a se desenvolver sobre Almirante Tamandaré e Colombo, passou por Curitiba com registro de granizo e ventos intensos, e seguiu em direção ao litoral, atingindo cidades como Guaratuba e Matinhos. Foi um sistema amplo, típico dos dias mais instáveis do verão no Sul do Brasil.

Especialistas explicam que a combinação de calor intenso, alta umidade do ar e um sistema de baixa pressão formado entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul criou o ambiente ideal para tempestades severas. Esse tipo de configuração atmosférica tem sido cada vez mais observado, o que reforça o alerta para eventos extremos, mesmo em regiões onde tornados não são frequentes.

A Prefeitura de São José dos Pinhais informou que equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros seguem atuando nos bairros afetados. As ações incluem vistorias técnicas, orientação aos moradores e distribuição de lonas para minimizar os danos até que os reparos definitivos sejam feitos. Em todo o Paraná, o alerta laranja de tempestades permanece ativo, com previsão de novos temporais e ventos fortes nas próximas horas.

Mais do que números, escalas ou mapas meteorológicos, o episódio deixa uma lição difícil de ignorar. A natureza continua sendo imprevisível e poderosa, capaz de transformar um dia comum em um teste coletivo de resistência. Para os moradores, fica a memória de um susto inesperado; para todos nós, o lembrete de que atenção, informação e preparo fazem toda a diferença quando o tempo resolve mudar de rumo.

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