Lilia Cabral lamenta morte que abalou o Brasil: ‘Foi fundamental para minha carreira’

A televisão brasileira se despediu neste fim de semana de um de seus maiores nomes. A partida de Manoel Carlos, autor que marcou gerações com histórias profundamente humanas, provocou uma onda de comoção entre artistas, profissionais do meio e o público. Entre as muitas homenagens, uma das mais tocantes veio da atriz Lilia Cabral, que falou à GloboNews com emoção contida e palavras carregadas de memória.
Lilia não falou apenas de um autor consagrado, mas de alguém que teve papel decisivo em sua trajetória profissional. Segundo ela, Manoel Carlos foi responsável por uma virada importante na forma como era vista pelo público e pela crítica. Durante muitos anos, a atriz era associada a personagens mais leves, com forte veia cômica. Foi pelas mãos de Maneco, como ele era carinhosamente chamado nos bastidores, que surgiu a chance de mostrar outras camadas.
“Ele foi fundamental na minha carreira, porque as pessoas deixaram de me enxergar como uma atriz divertida, e passaram a me ver como uma atriz densa”, afirmou Lilia, em um dos trechos mais comentados da entrevista. Não se tratava apenas de um elogio profissional, mas do reconhecimento de alguém que enxergava além do óbvio, algo raro mesmo em ambientes criativos.
A atriz também compartilhou uma curiosidade que sempre despertou questionamentos entre fãs de novelas: por que ela nunca interpretou uma das famosas Helenas de Manoel Carlos, personagens centrais de várias de suas obras? A resposta, segundo Lilia, veio do próprio autor. Ele acreditava que ela era insubstituível no papel de antagonista, aquela figura que desafia, provoca e equilibra a narrativa.
Maneco dizia não conseguir imaginar outra atriz com a mesma capacidade de dar profundidade às rivais das protagonistas. Para ele, essas personagens não eram simples obstáculos, mas peças-chave para sustentar conflitos realistas e intensos. Essa confiança marcou profundamente Lilia, que sempre levou esses papéis com seriedade e entrega.
Ao falar sobre a despedida, a atriz reconheceu que a idade avançada e a saúde fragilizada do autor já indicavam que esse momento se aproximava. Ainda assim, a notícia não deixa de causar um vazio difícil de explicar. “A gente nunca está realmente preparado”, comentou, com a voz embargada, refletindo um sentimento compartilhado por muitos colegas de profissão.
Lilia também fez questão de destacar a atualidade das obras de Manoel Carlos. Mesmo escritas em outras épocas, suas histórias continuam dialogando com o presente, especialmente pela forma sensível com que ele retratava as relações humanas e, em especial, a alma feminina. Seus textos tinham silêncio, pausa, olhar. Tinham vida.
Manoel Carlos faleceu por volta das 20h deste sábado (10), no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro. A notícia rapidamente repercutiu nas redes sociais e nos telejornais, com mensagens de carinho vindas de diferentes gerações de artistas e telespectadores.
O legado deixado por ele, como resumiu Lilia Cabral, “ficará para sempre”. Para o Brasil, ficam as histórias, os personagens inesquecíveis e a sensação de que, toda vez que uma de suas novelas voltar ao ar, Manoel Carlos continuará presente.



