Novelas

O que deu errado em Dona de Mim? Decisões polêmicas

A reta final de Dona de Mim evidenciou uma série de decisões narrativas que passaram longe de agradar o público e levantaram críticas contundentes sobre os rumos escolhidos pela Globo. O desfecho da novela acabou reforçando uma sensação de desgaste acumulado ao longo dos últimos meses, especialmente pela insistência em fórmulas repetidas e pela condução de conflitos que pareciam girar em círculos. O potencial da história, reconhecido por muitos telespectadores, acabou sendo ofuscado por escolhas que comprometeram a força dramática da trama.

O principal alvo das reclamações foi o uso excessivo de um enredo repetitivo para Jaques. O vilão passou grande parte da novela orbitando a mesma obsessão, sem evolução consistente ou novas camadas psicológicas. Desde o início, Jaques foi apresentado como um antagonista movido pelo ódio e pelo sentimento de rejeição, mas a narrativa insistiu em repetir os mesmos embates, o que gradualmente desgastou o personagem e reduziu seu impacto dramático.

A cada nova fase da história, Jaques retornava ao mesmo ponto, planejando vinganças semelhantes e executando ações previsíveis. Essa repetição transmitiu ao público a sensação de estagnação e falta de criatividade, como se o roteiro não soubesse conduzir o vilão para além da violência e da obsessão. O que poderia ser uma trajetória complexa acabou se tornando um ciclo de conflitos já conhecidos.

Outro ponto que gerou forte rejeição foi a morte de Abel. Personagem carismático e peça central da narrativa, ele funcionava como elo emocional da história e como contraponto moral às atitudes de Jaques. Sua saída abrupta deixou um vazio evidente na trama e causou frustração em parte significativa da audiência, que não enxergou sentido dramático suficiente para justificar uma perda tão marcante.

Após a morte de Abel, muitos telespectadores apontaram que Dona de Mim perdeu parte de sua força emocional. A ausência do personagem enfraqueceu conflitos importantes e desequilibrou a dinâmica entre os protagonistas. O roteiro passou a depender ainda mais de situações extremas envolvendo Jaques, como incêndios, ameaças e atos violentos, sem aprofundar as consequências emocionais desses acontecimentos nos demais personagens.

A introdução da mãe biológica de Sofia também foi bastante criticada. A personagem surgiu cercada de expectativa, prometendo reviravoltas relevantes e um novo olhar sobre o passado da criança. No entanto, sua participação foi breve e pouco explorada, sendo retirada da história sem um arco consistente, o que reforçou a sensação de improviso e falta de planejamento narrativo.

A saída precoce dessa personagem deu a impressão de que a trama abandonou uma possibilidade rica de desenvolvimento emocional. O público esperava conflitos familiares, revelações impactantes e transformações nos vínculos afetivos, mas o que se viu foi um descarte rápido, sem consequências reais para a história, desperdiçando um elemento que poderia renovar a narrativa.

A insistência em levar Jaques sempre ao limite da violência também foi vista como exagerada. Incêndio na fábrica, crianças em perigo, ameaças armadas e confrontos sucessivos criaram uma escalada de tensão que, para muitos, perdeu força justamente por se tornar previsível. O excesso de cenas extremas acabou banalizando o perigo e reduzindo o impacto emocional.

Na reta final, a reaparição de Jaques armado durante a inauguração da nova fábrica simbolizou esse desgaste. A cena, que deveria representar o ápice do conflito, reforçou críticas sobre a falta de inovação do roteiro, já que o vilão repetiu gestos e ameaças já vistos anteriormente, sem surpreender o público.

Com o fim se aproximando, Dona de Mim deixa a impressão de uma novela que tinha potencial para marcar, mas acabou tropeçando em decisões questionáveis. O enredo repetitivo de Jaques, a morte de Abel e o uso mal aproveitado da mãe de Sofia se tornaram símbolos de uma condução que frustrou parte da audiência e reacendeu o debate sobre a necessidade de mais ousadia, planejamento e coerência nas produções da Globo.

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