Lula conversou com vice da Venezuela após prisão de Maduro

Poucas horas depois de um episódio que redesenhou o cenário político da América do Sul, a diplomacia brasileira entrou em ação. Na madrugada do último sábado, dia 3, uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas terminou com a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O fato, rapidamente espalhado por agências internacionais e redes sociais, gerou reações imediatas dentro e fora da Venezuela.
Ainda no sábado, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando do país de forma interina. Segundo informações oficiais, a posse ocorreu de maneira reservada, longe das câmeras e com a presença de poucos integrantes do alto escalão do governo. A medida foi vista como uma tentativa de preservar a estabilidade institucional em meio ao clima de incerteza que se instalou no país.
Horas depois, Delcy Rodríguez conversou por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O contato, confirmado por fontes do Palácio do Planalto, teve como foco principal a situação interna da Venezuela após a operação e os próximos passos do governo interino. Embora o teor completo da conversa não tenha sido divulgado, interlocutores afirmam que houve preocupação mútua com os impactos políticos e sociais do episódio.
No mesmo dia, o governo brasileiro anunciou que reconhece a legitimidade de Delcy Rodríguez para comandar o país temporariamente. A decisão seguiu uma linha já adotada pelo Brasil em outras crises regionais, priorizando a continuidade institucional e o diálogo entre os países da região.
As críticas, no entanto, não demoraram a surgir. Em pronunciamentos públicos, Lula condenou a ação militar liderada pela Casa Branca. Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou Nicolás Maduro, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que o episódio representa uma violação clara do direito internacional. Para ele, a operação ultrapassou limites que, segundo suas palavras, “não podem ser normalizados nas relações entre países”.
O tema dominou a agenda diplomática no domingo, dia 4. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou de uma reunião emergencial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Convocado às pressas, o encontro reuniu representantes de diversos países da região, todos preocupados com os desdobramentos da crise venezuelana. Apesar do debate intenso, não houve consenso sobre uma posição conjunta, evidenciando as divergências históricas entre os governos latino-americanos.
A discussão também chegou aos corredores das Nações Unidas. Na segunda-feira, dia 5, durante uma sessão do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, o embaixador brasileiro Sérgio Danese voltou a criticar as ações dos Estados Unidos em território venezuelano. Em discurso firme, destacou a necessidade de respeito à soberania dos países e alertou para os riscos de precedentes semelhantes em outras regiões do mundo.
Enquanto isso, na Venezuela, o clima segue de apreensão. A população acompanha atentamente os comunicados oficiais e as reações internacionais, em um momento que mistura expectativa, incerteza e preocupação com o futuro próximo. Analistas apontam que os próximos dias serão decisivos para definir se o país conseguirá atravessar essa transição sem novos abalos.
O episódio reforça a complexidade do cenário político latino-americano em 2026 e recoloca a região no centro do debate global. Para o Brasil, o desafio agora é equilibrar sua posição histórica de defesa do diálogo com a pressão internacional por respostas rápidas e firmes.



