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Eduardo Bolsonaro fala sobre cassação de mandato e retorno à PF

Um vídeo publicado nas redes sociais de Eduardo Bolsonaro reacendeu debates políticos logo nos primeiros dias de 2026. Nele, o agora ex-deputado federal comenta a perda de seu mandato e a determinação oficial para que retorne às suas funções como agente da Polícia Federal, cargo para o qual foi aprovado em concurso público em 2010. O tom é direto, pessoal e carregado de críticas às decisões recentes que, segundo ele, fazem parte de um processo de perseguição judicial.

Eduardo afirmou que a cassação de seu mandato foi oficializada no dia 18 de dezembro, por decisão da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, então presidida por Hugo Motta. Um dos pontos mais questionados por ele é o fato de a medida não ter sido submetida ao plenário da Casa. Na avaliação do parlamentar, esse rito deveria ter sido seguido, o que, segundo ele, não ocorreu. A formalização da perda do cargo saiu no Diário Oficial da União já no dia seguinte, o que reforçou, em seu discurso, a ideia de rapidez incomum no processo.

No vídeo, Eduardo também comenta que recebeu, nesta quinta-feira (2), a ordem para reassumir imediatamente suas funções na Polícia Federal. A comunicação, segundo ele, chegou de forma ágil, algo que o ex-deputado usou como exemplo para criticar o funcionamento do serviço público. Em uma fala que repercutiu bastante, ele questionou por que o mesmo nível de atenção e agilidade não é visto, em sua visão, no combate a crimes mais graves ou a esquemas de corrupção envolvendo grandes interesses.

Ao longo da gravação, Eduardo Bolsonaro sustenta que o país vive um momento que ele define como de “normalidade democrática inexistente”. Ele direciona críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e também ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, há um ambiente de abuso de poder e de decisões que extrapolariam limites institucionais, especialmente quando envolvem figuras políticas associadas ao seu grupo.

Um dos trechos que mais chamaram atenção foi a comparação feita entre situações distintas envolvendo ex-presidentes. Eduardo citou o caso de seu pai, Jair Bolsonaro, que, segundo ele, retornou à carceragem da Polícia Federal poucos dias após passar por procedimentos médicos. Em contraste, mencionou o ex-presidente Fernando Collor, que cumpre prisão domiciliar em razão de um quadro de apneia do sono. A comparação foi usada para reforçar o argumento de tratamento desigual diante da Justiça.

Além do debate político, o vídeo também tem um tom pessoal. Eduardo deixou claro que não pretende abrir mão do cargo na Polícia Federal “de mãos beijadas”. Ele afirmou que irá lutar para preservar seus direitos como servidor público, incluindo pontos sensíveis como a aposentadoria, para a qual contribuiu ao longo dos anos, o porte de arma e a pistola institucional vinculada à função.

Ao falar de sua trajetória, o ex-deputado destacou o esforço que fez para ser aprovado no concurso da PF. Segundo ele, trata-se de uma conquista construída com estudo e dedicação, e não de um favor ou indicação política. Essa lembrança final deu ao discurso um caráter mais humano, aproximando o debate institucional de uma história pessoal de carreira e escolhas.

O vídeo rapidamente circulou em grupos de mensagens e redes sociais, dividindo opiniões. Para apoiadores, trata-se de um desabafo legítimo diante de decisões consideradas injustas. Para críticos, é mais um capítulo da tensão entre política, Judiciário e forças de segurança. Em meio a tudo isso, o caso reforça como nomes ligados à família Bolsonaro continuam no centro das discussões nacionais, mesmo fora do mandato parlamentar.

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