Famosa atriz da Globo morreu em tragédia durante o Réveillon no Rio de Janeiro, há 36 anos

Trinta e seis anos após um dos episódios mais marcantes da história recente do Rio de Janeiro, a tragédia do Bateau Mouche IV segue viva na memória coletiva do país. O naufrágio ocorreu na noite de réveillon de 1988 para 1989, na Baía de Guanabara, e interrompeu de forma irreversível a celebração de dezenas de famílias. O que deveria ser uma experiência festiva para acompanhar a queima de fogos em Copacabana acabou se transformando em um dos acidentes náuticos mais lembrados do Brasil, com consequências humanas, jurídicas e simbólicas que atravessaram décadas.
A embarcação transportava cerca de 150 pessoas e partiu com destino à orla de Copacabana para acompanhar o espetáculo da virada do ano. Por volta das 23h50, quando navegava entre a Ilha de Cotunduba e o Morro da Urca, o barco apresentou instabilidade e acabou afundando. Investigações posteriores apontaram que o excesso de passageiros e falhas estruturais contribuíram diretamente para o ocorrido. Ao todo, 55 pessoas perderam a vida, número que chocou o país e marcou profundamente aquela virada de ano.
Entre as vítimas estava a atriz Yara Amaral, então com 52 anos, conhecida por sua atuação em novelas de grande sucesso da televisão brasileira, como Dancin’ Days e Fera Radical, exibidas pela TV Globo. Ela estava acompanhada da mãe, Elisa do Amaral, que também não sobreviveu. A morte da artista teve ampla repercussão nacional e trouxe ainda mais visibilidade ao caso, que passou a ser acompanhado de perto pela imprensa e pelo público, em busca de respostas e responsabilização.
Curiosamente, outros nomes conhecidos do meio artístico quase estiveram a bordo do Bateau Mouche IV naquela noite. O ator Sérgio Mamberti havia sido convidado para o passeio, mas recusou devido a compromissos pessoais. Já a atriz Yolanda Cardoso não embarcou porque aguardava Yara Amaral, que se atrasou. Esses detalhes, revelados posteriormente, reforçaram a percepção de como circunstâncias aparentemente simples acabaram definindo destinos de forma dramática naquela noite.
A cobertura jornalística do episódio também entrou para a história. A primeira equipe de reportagem a chegar ao local do resgate foi da TV Globo, formada pelos jornalistas Renato Machado e Lúcio Rodrigues. Eles estavam em uma traineira cobrindo as comemorações de réveillon quando receberam a informação sobre o ocorrido e mudaram imediatamente o rumo da embarcação. A rapidez da equipe permitiu o registro de imagens e relatos ainda nos momentos iniciais da operação de socorro.
Em depoimento ao projeto Memória Globo, Renato Machado relembrou que acompanhou ambulâncias do Corpo de Bombeiros em alta velocidade até o Aterro do Flamengo, ponto onde muitas vítimas foram levadas. A equipe conseguiu acessar a área antes de outros veículos de imprensa, garantindo registros exclusivos que ajudaram a informar o país sobre a dimensão do ocorrido. As imagens e reportagens exibidas nos dias seguintes tiveram papel fundamental na compreensão do caso pela opinião pública.
No dia 1º de janeiro de 1989, o programa Fantástico apresentou uma reportagem especial que reconstituiu o trajeto feito pelo Bateau Mouche IV e detalhou os fatores que contribuíram para o naufrágio. Ao longo dos anos seguintes, o noticiário acompanhou de perto as investigações e os processos judiciais envolvendo os organizadores do passeio. Mesmo após mais de três décadas, o caso segue como símbolo da necessidade de fiscalização rigorosa, responsabilidade em eventos turísticos e respeito à segurança, especialmente em datas marcadas por grandes celebrações.




