Bolsonaro deve passar por novo procedimento cirúrgico na segunda-feira

A equipe médica responsável pelo acompanhamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) divulgou, neste sábado, 27 de dezembro, uma nova atualização sobre seu estado de saúde. Internado desde a última quinta-feira, quando passou por uma cirurgia para correção de hérnias, Bolsonaro precisou retornar ao centro cirúrgico após apresentar uma crise intensa e prolongada de soluços, que acabou comprometendo seu descanso durante a madrugada.
De acordo com os médicos, a decisão por uma nova intervenção foi tomada após a constatação de que os medicamentos utilizados até então não surtiram o efeito esperado. A crise, descrita como mais persistente do que as anteriores, impediu o ex-presidente de dormir e gerou preocupação na equipe responsável pelo tratamento. O procedimento realizado neste sábado teve como objetivo bloquear o nervo frênico direito, estrutura ligada ao reflexo dos soluços.
A informação foi compartilhada publicamente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por meio das redes sociais. Em sua mensagem, ela pediu orações e apoio, mencionando que a família enfrenta há cerca de nove meses um período difícil, marcado por crises frequentes. Pouco tempo depois, Michelle informou que o procedimento havia sido concluído e que Bolsonaro já se encontrava em repouso no quarto do hospital.
O episódio também foi comentado pelo vereador Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente. Ele relatou que chegou ao hospital no momento em que o pai era levado para a cirurgia e que não conseguiu acompanhá-lo, o que gerou desabafo público. A manifestação repercutiu nas redes e reacendeu discussões sobre protocolos hospitalares em casos que envolvem figuras públicas e medidas de segurança.
Em boletim médico divulgado no mesmo dia, a equipe explicou que o bloqueio anestésico do nervo frênico direito foi realizado sob sedação e sem intercorrências. Segundo os profissionais, um procedimento semelhante no nervo frênico esquerdo está previsto para acontecer nas próximas 48 horas, dependendo da resposta clínica apresentada. O efeito do anestésico, conforme explicado, costuma durar entre 12 e 18 horas, o que exige acompanhamento contínuo.
A equipe responsável pelo tratamento é formada pelo cirurgião Cláudio Birolini, pelo cardiologista Brasil Caiado e pelo radiologista Mateus Saldanha. Em coletiva, eles esclareceram que a resposta do ex-presidente às medicações anteriores ficou abaixo do esperado, motivo pelo qual a alternativa intervencionista foi considerada necessária. Antes disso, as doses dos remédios haviam sido ajustadas e até dobradas, sem sucesso significativo.
Além do tratamento específico para os soluços, Bolsonaro segue realizando fisioterapia para reabilitação pós-cirúrgica e recebe cuidados preventivos contra trombose venosa. A medicação direcionada ao controle dos soluços foi temporariamente suspensa para permitir uma avaliação mais precisa dos efeitos do procedimento realizado neste sábado.
Internado desde o feriado de Natal, o ex-presidente também passou por uma perícia da Polícia Federal, que avaliou a necessidade da intervenção. No parecer, os especialistas consideraram o bloqueio do nervo frênico tecnicamente adequado e destacaram a urgência da medida, levando em conta a dificuldade para dormir, se alimentar e o risco de agravamento do quadro clínico.
O próximo passo, segundo os médicos, será observar a evolução do tratamento ao longo dos próximos dias. Caso haja resposta positiva, a expectativa é de alívio gradual dos sintomas e continuidade do processo de recuperação, com monitoramento constante e ajustes conforme a necessidade.



