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Luto chega para Ivete Sangalo que comove os fãs com anúncio

Na manhã desta sexta-feira (26), uma notícia silenciosa, dessas que fazem o dia ficar mais lento, tomou conta das redes sociais e dos terreiros da Bahia: a morte de Mãe Carmen de Oxaguian, aos 98 anos. A ialorixá, considerada uma das maiores referências religiosas do estado, estava internada havia cerca de duas semanas no Hospital Português, em Salvador, tratando complicações causadas por uma gripe forte. A confirmação mobilizou fiéis, artistas, lideranças religiosas e admiradores da cultura afro-brasileira em todo o país.

Entre as manifestações mais comentadas esteve a de Ivete Sangalo. A cantora, que mantém uma relação antiga e respeitosa com o candomblé, publicou uma homenagem carregada de afeto e gratidão. Em poucas linhas, Ivete conseguiu traduzir o sentimento coletivo de quem reconhece a importância espiritual e histórica de Mãe Carmen. “Uma mulher admirável, do amor, da força, de uma energia extraordinária de paz. Sua luz permanecerá viva. Siga em paz”, escreveu. A mensagem rapidamente se espalhou, somando milhares de curtidas e centenas de comentários de pessoas que também quiseram se despedir.

Não foi uma homenagem protocolar. Quem acompanha a trajetória de Ivete sabe que a relação dela com as tradições afro-brasileiras é antiga, construída com respeito e presença. Em 2019, por exemplo, a artista participou do álbum Obatalá – Uma Homenagem a Mãe Carmen, projeto que reuniu nomes importantes da música brasileira para celebrar a ialorixá ainda em vida. Daniela Mercury, Margareth Menezes, Zeca Pagodinho, Alcione, Jorge Ben Jor e Carlinhos Brown também emprestaram suas vozes ao trabalho, que virou um marco cultural e espiritual.

A morte de Mãe Carmen acontece em um momento em que o debate sobre intolerância religiosa ainda é muito presente no Brasil. Por isso, as manifestações públicas de artistas e líderes ganham um peso maior. Elas ajudam a reforçar a importância da preservação das tradições, do respeito às religiões de matriz africana e da valorização de figuras que dedicaram a vida ao cuidado espiritual e comunitário.

Filha mais nova de Mãe Menininha do Gantois, uma das personalidades mais importantes do candomblé no país, Mãe Carmen cresceu em um ambiente onde fé, cultura e responsabilidade social caminhavam juntas. Ao longo das décadas, sua atuação ultrapassou os limites do terreiro. Ela orientou gerações, acolheu pessoas de diferentes origens e se tornou referência não apenas religiosa, mas também cultural. Artistas como Maria Bethânia sempre fizeram questão de reconhecer publicamente sua importância.

Nos bastidores da fé, Mãe Carmen era descrita como alguém de fala mansa, olhar firme e presença serena. Não precisava levantar a voz para ser ouvida. Sua autoridade vinha da história, da coerência e da forma como viveu seus princípios até o fim. Talvez por isso a comoção tenha sido tão grande: não se despede apenas de uma líder religiosa, mas de um símbolo de resistência, sabedoria e continuidade.

A homenagem de Ivete Sangalo, simples e direta, resume bem o sentimento que ficou. A luz de Mãe Carmen não se apaga com sua partida. Ela segue viva nas tradições que ajudou a preservar, nas pessoas que tocou e no respeito que conquistou ao longo de quase um século de vida dedicada à espiritualidade e ao amor coletivo.

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