SC: Identificada a jovem de 26 anos que morreu repentinamente

A morte repentina de uma pessoa jovem tem um efeito difícil de explicar. É como se alguém apertasse o botão de pausa da vida, enquanto tudo ao redor insiste em continuar. O relógio segue marcando as horas, o dia avança, mas quem fica sente que algo saiu do eixo. Amigos, familiares e conhecidos tentam encontrar sentido em uma situação que parece não ter explicação lógica. A ausência chega sem aviso e bagunça sentimentos, planos e rotinas.
Foi exatamente esse clima de incredulidade que tomou conta de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, na tarde de segunda-feira, 22 de dezembro. A cabeleireira Kelly Larissa Chiele, de apenas 26 anos, morreu após sofrer um infarto fulminante. Jovem, ativa e sem diagnóstico de doenças conhecidas, Kelly deixou para trás um vazio que ainda ecoa entre aqueles que conviviam com ela diariamente.
De acordo com relatos, Kelly saiu de seu apartamento no bairro Cordeiros por volta das 12h30. Ela não se sentia bem e decidiu procurar atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região. Era, aparentemente, uma atitude simples e responsável. No entanto, ao entrar no carro, acabou desmaiando antes mesmo de conseguir sair do estacionamento do condomínio.
A cena mobilizou moradores, que rapidamente perceberam que algo estava errado. Algumas pessoas correram para ajudar, enquanto outras acionaram o socorro. Manobras de reanimação foram iniciadas ali mesmo, em meio ao nervosismo e à esperança de que tudo terminasse bem. Pouco depois, equipes do Corpo de Bombeiros Militar e do Samu chegaram ao local.
Por quase uma hora, os profissionais se revezaram em procedimentos de emergência, utilizando equipamentos e técnicas para tentar reverter a parada cardiorrespiratória. O esforço foi intenso, cuidadoso e contínuo. Infelizmente, apesar de todo o trabalho das equipes, o óbito foi confirmado ainda no estacionamento do residencial, deixando todos ao redor em silêncio e choque.
Familiares informaram que Kelly não possuía problemas de saúde conhecidos. Ainda assim, na semana anterior, ela havia comentado com pessoas próximas que sentia fraqueza, falta de ar e dores no peito. Sintomas que, muitas vezes, são subestimados na correria do dia a dia, especialmente entre pessoas jovens que não se enxergam em grupos de risco.
Natural de Farroupilha, no Rio Grande do Sul, Kelly morava em Itajaí havia cerca de três anos. Trabalhava como cabeleireira em uma academia e era descrita por colegas como alguém sempre sorridente, dedicada e apaixonada pelo que fazia. Gostava de conversar, de ouvir histórias e de transformar o dia das pessoas com pequenos gestos, algo comum a quem escolhe trabalhar cuidando da autoestima alheia.
O corpo foi levado para sua cidade natal, onde ocorreu o sepultamento na quarta-feira, dia 24 de dezembro, em meio a muita comoção. Amigos, familiares e conhecidos se despediram com mensagens de carinho, lembranças e homenagens nas redes sociais.
A partida precoce de Kelly deixa uma dor difícil de mensurar, mas também reforça um alerta importante. Problemas cardíacos não escolhem idade e nem sempre dão sinais claros. Em meio à tristeza, a família espera que a história dela sirva como um lembrete: ouvir o próprio corpo pode salvar vidas. O coração, que simboliza afeto, energia e presença, também merece atenção constante. Afinal, cuidar dele é, no fim das contas, cuidar do tempo que ainda temos.



