Morre aos 84 anos o ator e poeta Gualdino Calixto; corpo será cremado

O meio artístico brasileiro amanheceu de luto nesta terça-feira (23) com a notícia da morte do ator e poeta Gualdino Calixto, aos 84 anos. A informação foi confirmada à CNN pela sobrinha do artista, Claudia Calixto, que informou que o óbito ocorreu em decorrência de uma parada cardíaca. Reconhecido por sua trajetória multifacetada e por sua contribuição consistente às artes e à cultura, Gualdino deixa um legado que atravessa o teatro, a literatura e o ativismo institucional em defesa da classe artística. O corpo será cremado no próximo sábado (27), em cerimônia reservada, cujo local não foi divulgado pela família.
Nascido no bairro de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, Gualdino Calixto teve uma infância marcada por experiências fora do Brasil. Dos 5 aos 15 anos, viveu em Portugal, período que influenciou profundamente sua formação cultural e sensibilidade artística. Essa vivência no exterior deixou marcas evidentes em sua obra literária, especialmente nos textos que resgatam memórias da juventude e da vida em aldeias portuguesas. Ao retornar ao Brasil, construiu uma trajetória sólida, pautada pela valorização da palavra, da cena e da reflexão humana.
Ao longo da vida, Gualdino acumulou diferentes formações e atuações profissionais. Além de ator e poeta, foi professor, administrador de empresas e advogado, demonstrando uma curiosidade intelectual constante e uma versatilidade pouco comum. Essa multiplicidade de saberes se refletia em sua produção artística, marcada por textos densos, sensíveis e atentos às complexidades da existência. Mesmo com uma carreira diversificada, nunca se afastou da arte, que permaneceu como eixo central de sua identidade e de sua atuação pública.
Nos últimos três anos, Gualdino Calixto exercia o cargo de Secretário Administrativo do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro (SATED-RJ). Na instituição, teve papel ativo não apenas na gestão administrativa, mas também na produção cultural, dedicando-se à escrita e à direção de leituras dramatizadas. Colegas destacam sua disposição em colaborar, orientar artistas mais jovens e manter vivo o debate sobre o papel da arte na sociedade, sempre com postura ética e comprometida.
A contribuição literária de Gualdino Calixto também ocupa lugar de destaque em sua trajetória. Entre os livros de poesia publicados estão “Silvas & Valados” (2005) e “Ninhos Vazios” (2006), obras que exploram sentimentos, lembranças e inquietações humanas. Em 2009, lançou “Kpsue: Manual de Reflexões e Lembranças”, seguido por “Palavras Jogadas ao Vento” (2013), reunindo prosas e versos. Já em 2015, publicou “Brancas Lembranças da Minha Aldeia”, livro marcado pelo resgate afetivo da infância e juventude vividas em Portugal.
Mesmo em idade avançada, Gualdino manteve intensa atividade artística. Em abril deste ano, a peça “Bodas de Ouro”, escrita e dirigida por ele, foi encenada no auditório do SATED-RJ, com entrada gratuita. A apresentação foi celebrada como um exemplo de seu compromisso com a democratização do acesso à cultura e com a valorização do teatro como espaço de encontro e reflexão. O trabalho reafirmou sua vitalidade criativa e sua capacidade de dialogar com diferentes gerações.
A morte de Gualdino Calixto gerou manifestações de pesar entre artistas, instituições culturais e admiradores de sua obra. O perfil oficial do SATED-RJ publicou uma homenagem nas redes sociais, com uma imagem em preto e branco do ator, acompanhada de sua data de nascimento e falecimento. Sua partida representa uma perda significativa para a cultura brasileira, mas seu legado permanece vivo nos livros, nos palcos e na memória de todos que conviveram com sua arte e sua dedicação incansável à expressão artística.



