Autora de Dona de Mim antecipa luto e mudanças decisivas com o fim da novela

Rosane Svartman já consegue visualizar o desfecho de “Dona de Mim”, embora ainda esteja profundamente conectada ao universo da novela. Com o último capítulo previsto para ir ao ar em 9 de janeiro de 2026, a autora evita encarar o encerramento como um rompimento definitivo. Para ela, a experiência continua viva mesmo após o fim da exibição, já que os personagens permanecem na memória e no afeto de quem os criou.
Durante um encontro com jornalistas nos Estúdios Globo, Rosane falou abertamente sobre o desgaste emocional e físico provocado pelo ritmo intenso de produção. Com franqueza e bom humor, afirmou que, no momento, seu principal projeto é descansar e recuperar a própria vida fora da sala de roteiros. Ainda assim, deixou claro que o desligamento de uma novela não acontece de forma imediata, mas sim de maneira gradual e emocionalmente complexa.
A autora descreveu o fim de uma obra como um processo que envolve luto, vazio e apego. Mesmo antes do término oficial, esses sentimentos já começam a surgir, justamente porque a trama continua sendo pensada, relembrada e vivida intensamente. Para Rosane, cada novela traz a sensação de ser a primeira experiência e, ao mesmo tempo, algo que nunca se encerra por completo.
“Dona de Mim” entrou para a história da faixa das sete por um motivo pouco comum: a trama ganhou 48 capítulos extras em relação ao planejamento inicial. Essa ampliação não acontecia desde 2009, quando “Caras e Bocas”, de Walcyr Carrasco, alcançou um número semelhante de capítulos. A decisão exigiu uma reestruturação completa da narrativa e trouxe insegurança, mas também novos desafios criativos.
Rosane explicou que a escolha partiu de uma decisão estratégica da emissora e que, apesar do susto inicial, compreendeu a necessidade da mudança. A novela das sete, por misturar gêneros e exigir ritmo acelerado, demanda constantes reviravoltas para manter o público envolvido. O desafio foi encontrar caminhos que sustentassem o interesse da audiência até o final do ano.
Com isso, a autora retornou rapidamente à sala de roteiros junto à equipe para pensar em novas viradas dramáticas. O objetivo era criar acontecimentos fortes o suficiente para atravessar períodos importantes como Natal e Réveillon, mantendo a trama aquecida. Segundo ela, novela é construída a partir dessas viradas, que renovam o fôlego da história e do público.
Entre as reviravoltas mais comentadas esteve o retorno de Ellen, personagem de Camila Pitanga, dada como morta nos primeiros capítulos. A reaparição surpreendeu os telespectadores, movimentou as redes sociais e trouxe novo impacto à narrativa. A ideia foi recebida com entusiasmo pela equipe e pela atriz, desde que a coerência da história fosse preservada.
Rosane contou que Camila Pitanga demonstrou grande interesse ao conhecer os detalhes do retorno e ficou satisfeita com o caminho escolhido para a personagem. A autora destacou a empolgação da sala de roteiros com essa possibilidade, ressaltando o cuidado em construir uma explicação sólida para o público.
Em contrapartida, a morte de Abel, interpretado por Tony Ramos, foi tratada como definitiva desde o início do projeto. Rosane afirmou que o ator aceitou o papel já ciente do destino do personagem, entendendo sua importância dramática para a trama. A morte fazia parte do arco narrativo e não havia intenção de reverter esse desfecho.
Ao se aproximar do fim, “Dona de Mim” consolida-se como um trabalho marcante na carreira de Rosane Svartman, que reúne sucesso de audiência, desafios inéditos e forte envolvimento emocional. Para a autora, o término representa não apenas o fechamento de uma história, mas também o início de um processo interno de despedida, no qual personagens, emoções e aprendizados continuam vivos muito além da tela.



