Morre Jair Prata, o eterno Tatinha aos 85 anos

Londrina se despediu, na tarde desta terça-feira (23), de uma de suas vozes mais marcantes da comunicação esportiva. O jornalista e radialista Jair de Antonio Prata, conhecido carinhosamente como Tatinha, faleceu após sofrer um mal súbito enquanto dirigia pela cidade. O episódio resultou em uma colisão com outro veículo e encerrou, de forma inesperada, uma trajetória que se confunde com a própria história do rádio e do esporte londrinense. A notícia rapidamente se espalhou e provocou forte comoção entre colegas de profissão, ouvintes e admiradores que acompanharam sua carreira ao longo de décadas.
Tatinha dedicou praticamente toda a vida ao jornalismo esportivo, construindo um legado pautado pela credibilidade, pela memória privilegiada e pelo compromisso com a informação. Mais do que relatar resultados, ele contextualizava fatos, explicava cenários e aproximava o público do esporte local. Seu nome tornou-se referência não apenas pela longevidade profissional, mas pela capacidade de transformar transmissões em verdadeiras aulas de história. Para gerações de ouvintes, sua voz era sinônimo de confiança, equilíbrio e paixão pelo que fazia, características que ajudaram a consolidar sua importância no rádio do Paraná.

A relação de Tatinha com o Londrina Esporte Clube (LEC) é um capítulo à parte de sua trajetória. Ele esteve presente no primeiro jogo oficial do Tubarão, em 1956, acompanhando de perto o nascimento de um dos clubes mais tradicionais do estado. Ao longo de cinco décadas, atuou como setorista exclusivo do LEC, testemunhando conquistas, desafios e transformações do futebol local. Essa proximidade fez dele uma fonte viva de informações, capaz de resgatar detalhes de partidas, elencos e bastidores que marcaram a identidade esportiva da cidade.
Em 1967, Tatinha passou a integrar a equipe da Rádio Paiquerê AM, onde se consolidou como uma das principais vozes da emissora. Participou de programas emblemáticos como “Bate Bola”, “Plantão Paiquerê” e “Em Cima do Lance”, contribuindo para o fortalecimento do jornalismo esportivo regional. Sua presença no rádio ajudou a formar opinião, estimular debates e aproximar torcedores do cotidiano dos clubes. O estilo direto, didático e respeitoso fez com que seu trabalho atravessasse gerações sem perder relevância, mesmo diante das mudanças tecnológicas no setor.
O reconhecimento profissional de Tatinha ultrapassou os limites de Londrina. Sua competência o levou a cobrir grandes eventos internacionais, incluindo as Copas do Mundo de 1990 e 1994, como enviado especial. Também acompanhou jogos da Seleção Brasileira, amistosos e competições nacionais, atuando ainda por outras emissoras tradicionais, como as rádios Londrina e Clube. Nessas experiências, levou o nome da cidade para diferentes públicos, sempre com o olhar atento de quem conhecia profundamente o futebol e sua importância cultural.
Ao longo da carreira, Tatinha foi frequentemente descrito como um ícone técnico e passional do jornalismo esportivo. Colegas o definiam como uma verdadeira enciclopédia do futebol local, capaz de unir memória, análise e sensibilidade. Fora do microfone, era reconhecido pela postura ética, pela generosidade com os mais jovens e pela disposição em compartilhar conhecimento. Seu legado não se resume a arquivos sonoros, mas vive nas histórias contadas, nos ensinamentos transmitidos e no respeito conquistado junto à comunidade esportiva.
A equipe de jornalismo da Tarobá, assim como clubes, profissionais da comunicação e torcedores, manifestou pesar pela morte de Tatinha, prestando solidariedade aos familiares, amigos e ouvintes. Londrina perde um profissional que ajudou a construir sua identidade esportiva e radiofônica, mas preserva uma história que seguirá sendo lembrada. A contribuição de Tatinha permanece como referência de dedicação, memória e amor ao jornalismo, deixando uma marca definitiva no rádio e no esporte da cidade.



