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Identificada querida médica que morreu em acidente a caminho de plantão; ela deixa marido e filhos

A dor de perder alguém querido nunca encontra medida exata. Ela simplesmente acontece, ocupa espaços e muda rotinas. Quando essa perda envolve uma profissional admirada, alguém presente no dia a dia de tantas pessoas, o sentimento parece se espalhar ainda mais rápido, alcançando toda uma comunidade. Foi assim no norte do Rio Grande do Sul após a notícia da morte da médica Sabrina Laurenti Janella, aos 45 anos, na manhã do domingo, 21 de dezembro.

Sabrina era dessas pessoas que não passavam despercebidas. Moradora de Erechim, mãe de dois filhos e com mais de duas décadas dedicadas à medicina, ela construiu uma trajetória marcada pelo cuidado genuíno. Não apenas pelo conhecimento técnico, mas pela forma como olhava, ouvia e acolhia cada paciente. Quem precisou de atendimento médico na região, em algum momento, provavelmente já cruzou com ela em um consultório, hospital ou plantão.

Naquele domingo, Sabrina seguia pela ERS-211, no trecho de Paulo Bento, rumo a mais um dia de trabalho em Jacutinga. Era rotina. Plantões, estradas conhecidas, horários apertados. Em determinado ponto do trajeto, o carro saiu da pista e acabou parando fora da rodovia, próximo a um riacho. Horas depois, colegas estranharam sua ausência no hospital e acionaram ajuda. O veículo foi localizado pelos bombeiros, encerrando uma espera que ninguém gostaria de ter vivido.

A notícia se espalhou rápido, como acontece hoje em dia. Grupos de mensagens, redes sociais, ligações. Erechim, Campinas do Sul, Barão de Cotegipe e cidades vizinhas amanheceram em silêncio diferente. Prefeituras divulgaram notas oficiais, mas, mais do que palavras institucionais, o que se viu foram relatos pessoais. Histórias de quem foi atendido por ela em momentos difíceis, de quem recebeu uma palavra calma quando o medo falava mais alto.

A Prefeitura de Campinas do Sul destacou o legado de profissionalismo e empatia deixado por Sabrina. Já Barão de Cotegipe lamentou a perda de uma médica que fez diferença real na vida das pessoas. Não foram frases vazias. Quem conhecia Sabrina sabe que ela fazia questão de tratar cada paciente como alguém único, não como mais um nome na ficha.

Nas redes sociais, as homenagens seguiram ao longo do dia. Uma moradora escreveu que Sabrina cuidou de praticamente toda sua família, sempre com carinho. Outros lembraram do sorriso discreto, da voz tranquila, da paciência mesmo nos plantões mais longos. Em tempos tão acelerados, esse tipo de lembrança diz muito.

O velório ocorreu na Capela B do Hospital de Caridade de Erechim, local que também fez parte de sua história profissional. Depois, a despedida seguiu no Crematório Anjos de Luz. Sabrina deixa o marido, Fernando Palhano, também médico, os filhos Murilo e Lorenzo, e a mãe, Rita de Cássia Laurenti.

Sua partida foi precoce, dolorosa e difícil de entender. Ainda assim, o que permanece é um legado que não se apaga. Sabrina seguirá viva na memória dos pacientes, dos colegas e de todos que aprenderam, com ela, que cuidar vai muito além de tratar. É sobre humanidade, presença e respeito. E isso, definitivamente, fica.

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