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Segundo O Globo, Alexandre de Moraes tentou negociar com Galipolo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem sido o centro de uma polêmica envolvendo o Banco Master, uma instituição financeira liquidada recentemente pelo Banco Central. Relatos indicam que Moraes manteve contatos com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para discutir a situação do banco antes que o caso chegasse formalmente ao Judiciário. Esses contatos, que incluíram ligações telefônicas e uma reunião presencial, teriam ocorrido com o intuito de acompanhar o processo de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), demonstrando simpatia pelo controlador da instituição, Daniel Vorcaro.

De acordo com as informações disponíveis, Moraes argumentou que o Banco Master enfrentava resistências por competir com grandes players do setor financeiro. No entanto, ao ser alertado por Galípolo sobre indícios de irregularidades, incluindo fraudes em repasses de créditos no valor de R$ 12,2 bilhões, o ministro recuou, reconhecendo que a operação não poderia prosseguir caso as suspeitas se confirmassem. Até o momento, nem Moraes nem Galípolo se pronunciaram publicamente sobre esses episódios, o que tem alimentado especulações sobre possíveis influências indevidas no processo regulatório.

Outro aspecto que chama atenção é o contrato firmado entre o escritório de advocacia Barci de Moraes Associados, gerido pela esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. O acordo, iniciado em janeiro de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por um período de três anos, totalizando aproximadamente R$ 129 milhões. O escopo do contrato incluía a representação dos interesses do banco e de Vorcaro perante órgãos como o Banco Central, a Receita Federal, o Cade e o Congresso Nacional.

Com a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, os pagamentos ao escritório foram interrompidos. Não há registros públicos de atuações concretas do escritório em defesa do banco nessas instituições, o que levanta questionamentos sobre a efetividade e a natureza do serviço prestado. A família Moraes, incluindo filhos do casal, também atua no escritório, adicionando camadas de complexidade ao caso.

O escândalo do Banco Master ganhou proporções maiores com a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, no mesmo dia da liquidação. A ação resultou na prisão de Daniel Vorcaro e de outros executivos, sob acusações de fraudes bilionárias envolvendo títulos de crédito sem lastro repassados ao BRB. As investigações apontam para um esquema que pode ter causado prejuízos significativos ao sistema financeiro brasileiro.

A repercussão política não tardou: no Congresso Nacional, senadores como Alessandro Vieira (MDB-SE) iniciaram a coleta de assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar as relações entre Moraes e o Banco Master. Essa iniciativa reflete o crescente escrutínio sobre a independência do Judiciário e possíveis conflitos de interesse em esferas de poder.

O caso continua em desenvolvimento, com partes tramitando no STF sob relatoria de ministros como Dias Toffoli. Enquanto isso, o episódio reforça debates sobre transparência e ética no serviço público, especialmente em um contexto de instabilidade econômica e regulatória no país.

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