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Nikolas Ferreira detona Havaianas e revela opinião

Uma campanha publicitária criada para falar de otimismo e começo de ano acabou se transformando em mais um capítulo da polarização política nas redes sociais. Desta vez, o centro da discussão é a Havaianas, marca tradicional no Brasil, que virou alvo de críticas e pedidos de boicote após a divulgação de um comercial estrelado pela atriz Fernanda Torres.

O vídeo, lançado na última quinta-feira (18/12), traz Fernanda em tom bem-humorado refletindo sobre o desejo de iniciar 2026 de uma forma diferente. Em vez da expressão popular “começar o ano com o pé direito”, ela sugere algo mais simples: entrar no novo ano “com os dois pés”, seja na porta de casa, na estrada ou até “na jaca”, como diz a própria atriz, arrancando risos de quem assiste. A proposta, segundo a leitura de muitos, era leve e motivacional.

No entanto, nem todo mundo entendeu assim. A reação mais recente veio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que publicou no X, nesta segunda-feira (22/12), um trocadilho com o slogan mais famoso da marca: “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”. A frase rapidamente circulou entre apoiadores e reforçou o movimento de boicote que vinha ganhando força desde o fim de semana.

A mobilização começou no domingo (21/12), quando o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) divulgou um vídeo criticando a campanha. Para ele, a fala de Fernanda Torres teria uma “mensagem subliminar”, associando a expressão “pé direito” a um contexto político. Cleitinho afirmou que, em um país dividido, esse tipo de discurso não seria inocente. Também criticou a escolha da atriz, alegando que ela teria posições contrárias às defendidas pela direita. “Quem é de direita já sabe o que fazer com as Havaianas no ano que vem”, disse, reforçando a frase “quem lacra não lucra”.

A crítica encontrou eco em outros nomes conhecidos. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente vive nos Estados Unidos, publicou um vídeo afirmando que a empresa teria “se descolado da realidade”. Ele classificou a sandália como um “símbolo nacional” e passou a interpretar o comercial como um posicionamento político. No final do vídeo, jogou um par de Havaianas no lixo, gesto que dividiu opiniões.

Outros parlamentares, como o deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) e o vereador recifense Gilson Machado Filho (PL), também entraram na discussão. Ambos afirmaram que a marca estaria fazendo “campanha política explícita” e sugeriram que consumidores procurem alternativas no mercado. Influenciadores conservadores passaram a repetir a ideia de que a empresa estaria “misturando sandália com ideologia”.

Enquanto isso, o vídeo segue ganhando alcance. Nas redes da Havaianas, a peça já ultrapassa 6 milhões de visualizações. Alguns usuários notaram que o conteúdo aparece apenas na aba de Reels, o que gerou questionamentos sobre uma possível mudança após a repercussão. Até agora, nem a empresa nem Fernanda Torres se pronunciaram oficialmente.

Do outro lado do debate, também houve reação. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) criticou duramente o boicote e lembrou que a maior e mais moderna fábrica da Havaianas fica em Montes Claros, no Norte de Minas. Para ela, incentivar o boicote significa prejudicar empregos e a economia da região. “O senador está defendendo um boicote econômico ao Norte de Minas. Uma vergonha!”, escreveu.

O episódio mostra como, no Brasil atual, até uma campanha de sandálias pode se transformar em debate político. Entre interpretações, ironias e reações intensas, a publicidade acabou indo muito além do objetivo inicial: falar de um novo ano que se aproxima.

 

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